Vinculação e desvinculação familiar: o que são?

15 de novembro de 2019
As fases de crise e instabilidade nas famílias, ou ainda o caso de um novo integrante que está chegando, às vezes se traduzem em situações como a vinculação e a desvinculação familiar.

Qualquer família passa por momentos de estabilidade e instabilidade. Esses processos podem desencadear verdadeiras crises que, às vezes, modificam a estrutura familiar interna profundamente. O conceito universal e característico da família é de união, convivência e apego entre os seus integrantes. No entanto, existem circunstâncias nas quais esses não são os principais fatores que a caracterizam.

A vinculação familiar é a inclusão de um integrante à família, com tudo o que isso implica: admissão, acomodação e incorporação. Essa inclusão implica a aceitação de que esse integrante faz parte da estrutura familiar.

No lado oposto, está a desvinculação familiar, que envolve o afastamento ou a exclusão de um integrante da família, que pode ocorrer por causa de diferentes razões.

A desvinculação pode estar ligada às diferentes fases do ciclo da vida familiar ou a circunstâncias críticas, tais como problemas de saúde, falta de recursos ou ruptura nas relações familiares. A seguir, veremos alguns elementos para entender melhor o que é a vinculação e a desvinculação familiar.

A vinculação ou inclusão familiar

A vinculação ou inclusão de novos integrantes na família marca o início de uma nova fase na vida familiar. É importante esclarecer a diferença entre o que se conhece como família ‘verdadeira’ e a família ‘legitimada’.

Vinculação familiar

A família verdadeira ou real está relacionada a laços de parentesco, principalmente consanguíneos. A família legitimada, por outro lado, é baseada no pertencimento.

Um novo integrante que está em processo de inclusão geralmente vem de outra família ‘real’ e chega para ocupar um espaço que será legitimado nessa nova família que o recebe. Esse novo integrante contribui para a reestruturação da família e chega com a sua própria história. É o caso, por exemplo, de uma adoção.

Esse processo de vinculação pode ser difícil para certas famílias que frequentemente precisam de ajuda profissional. Não devemos nos esquecer de que esta pode ser uma circunstância emocional com certa complexidade.

Desvinculação familiar estrutural

Quando o distanciamento repetido ou persistente ocorre dentro de uma família, podemos falar em desvinculação estrutural. É o caso, por exemplo, do que se conhece como famílias dissociadas, multiproblemáticas ou desestruturadas.

Nessas famílias, o abandono e a alternância com a permanência são a regra geral. Estão nessa situação, por exemplo, as famílias em que há um abandono parental precoce.

Quando uma criança está em situação de risco e essa situação se torna evidente para o ambiente social ou institucional, pode haver uma decisão pelo seu afastamento da família. A criança geralmente é abrigada em uma casa substituta ou em uma instituição de acolhimento.

Caso um adulto tenha cometido um ato grave contra a própria família, ele ou ela também podem ser afastados de forma temporária ou definitiva.

Desvinculação familiar temporária: fugas

Durante a adolescência, a desvinculação pode ocorrer com um episódio abrupto, como resultado de uma fuga. Isso implica uma ruptura na convivência de uma família que, provavelmente, até aquele momento, era estável. Essa categoria não inclui fugas de curto prazo, como as de poucas horas ou dias.

A fuga é uma característica da precipitação da emancipação de um filho. Essa emancipação é realizada através de uma separação difícil e não através de negociações, como ocorreria em condições normais.

Vinculação e desvinculação familiar

Desvinculação conjugal e familiar

Em caso de separação ou divórcio, o integrante da família que sai de casa pode manter contato regular, principalmente com os filhos, ou, pelo contrário, desconsiderar completamente o contexto familiar.

Quando essas situações ocorrem, não apenas existe uma desvinculação conjugal, mas também uma desvinculação parental e familiar por causa do cônjuge que saiu de casa.

Na prática, o divórcio conjugal às vezes também implica um divórcio parental. É possível que o cônjuge que se exclui e se desvincula da família tenha sido alguém ausente durante o casamento. Inclusive, em muitos casos, ele pode ter exercido a função parental parcialmente ou ainda tê-la delegado completamente.

Como lidar com a desvinculação profissionalmente?

Os profissionais devem abordar a questão da desvinculação familiar de forma muito cuidadosa, para não aumentar a crise e aprofundar ainda mais o distanciamento de algum integrante da família.

Em vez de questionar a desvinculação, é necessário trabalhar na geração de acordos que sejam consistentes com a situação real de distanciamento físico ou emocional.