Psicologia perinatal: o que as crianças sentem antes de nascer?

29 de dezembro de 2019
A psicologia perinatal é responsável por estudar os vínculos estabelecidos entre o bebê e a mãe antes do nascimento. Mas o que foi descoberto até agora?

A partir do momento em que descobrimos que vamos ser pais, as nossas preocupações mudam. O nosso foco passa a ser cuidar dos nossos hábitos para que o feto cresça forte e saudável, monitorando nossa alimentação ou nosso sono, entre outros fatores.

Vamos a todos os exames ginecológicos e ficamos atentos a todos os testes e ultrassonografias. Em suma, tentamos cuidar de todos os aspectos físicos do bebê. Mas… e os psicológicos?

A primeira coisa que pode vir à nossa mente é: psicologia do feto? A psicologia perinatal é uma especialidade que estuda os vínculos emocionais entre a mãe e a criança desde antes do nascimento, bem como o que o feto pode sentir ou perceber dentro da barriga da mãe.

Além disso, também procura responder às inúmeras perguntas que abalam os pais com relação ao que os nossos bebês estão sentindo e vivendo antes de “vir ao mundo”. Por exemplo: o feto notará quando eu estiver com raiva? Como ele vai viver o parto? Por que ele chuta quando eu falo?

Psicologia perinatal: sensações do bebê na barriga

Conforme já adiantamos, a psicologia perinatal é responsável por analisar o que o feto é capaz de sentir antes do nascimento. O bebê intrauterino possui grandes habilidades perceptivas, e tudo isso se traduz em emoções:

O sentido do tato

Nossos filhos gostam de ser mimados desde quando estão na barriga. O tato é o primeiro sentido que se desenvolve. É por isso que eles reagem quando alguém acaricia ou pressiona a barriga da mãe.

No entanto, de acordo com um estudo realizado na Universidade da Califórnia, o mesmo não ocorre com a dor. Essa percepção requer o desenvolvimento de centros cerebrais específicos que não aparecem até a 29ª semana de gestação.

a psicologia perinatal

O sentido da audição

A música clássica é relaxante para eles? A partir da 22ª semana isso é provável, porque já estarão desenvolvendo o sentido da audição, embora o som mais relaxante para eles seja o da voz da mãe.

No final do sexto mês, começaremos a perceber que o bebê na barriga se assusta com portas batendo e fica agitado ou se acalma de acordo com o tom de voz com o qual falamos. Além disso, ele rapidamente reconhece a nossa voz.

Percepção de emoções

Se estivermos tristes, o bebê perceberá, mesmo que não estivermos chorando ou gritando e tentemos passar o dia normalmente. Emoções intensas, tanto positivas quanto negativas, causam alterações nos nossos níveis hormonais que a criança pode perceber.

Caso sejam muito intensas, podem até mesmo influenciar o crescimento do feto ou aumentar as chances de parto prematuro.

A psicologia perinatal estuda os vínculos emocionais entre a mãe e o futuro bebê.

As experiências intrauterinas influenciam a sua vida?

Várias pesquisas sobre a embriologia humana concluíram que há atividade psíquica nos últimos estágios da vida uterina, afirmando que o desenvolvimento psicológico começa a partir do momento da concepção. O que o menino ou menina que ainda não nasceu sente e percebe começa a criar e moldar as suas atitudes e as expectativas em relação a si mesmos e ao mundo que os espera.

É por isso que uma parte importante do caráter e das habilidades do indivíduo toma forma ainda no útero, enquanto as diferentes partes do corpo também estão sendo formadas.

psicologia perinatal

Nossos bebês estão conectados conosco. Portanto, os nossos sentimentos também vão afetá-los, deixando, assim, uma pequena marca na sua personalidade futura. Isso não significa que não possamos nos estressar ou ter dúvidas ocasionais porque vamos marcar os nossos filhos pelo resto da vida, mas sim que sentimentos profundos e constantes, como os sentimentos depressivos, por exemplo, podem ter um impacto no seu desenvolvimento.

Por sua vez, o papel do pai também é de vital importância durante a gravidez. Um pai carinhoso e sensível que forneça apoio emocional constante para a mãe e interaja com o recém-nascido vai ajudá-lo a atingir o seu máximo potencial de desenvolvimento.