Quando dizem à você: e se acontecer alguma coisa com seu filho?

18 Setembro, 2018
A pressão social pode chegar a limites inesperados. O que antes era: "você já tem namorado?" foi substituído por "quando vai ser o casamento?".

Superadas essas primeiras fases, as perguntas continuam sobre a chegada do primeiro filho e, em seguida, necessariamente pela chegada de um irmãozinho. Se a resposta a esta última for negativa, é possível acabar ouvindo a cruel pergunta: “E se acontecer algo com seu filho?”.

É em momentos como esse que você entende que opinar é um esporte gratuito para muitas pessoas que não medem suas palavras. Além disso, muitas pessoas acreditam que podem resolver problemas dos outros que nem existem quando não conseguem sequer solucionar os próprios problemas. O ponto mais grave desse caso é que os filhos são tratados como figurinhas que podem ser substituídas.

Sim, as pessoas definitivamente são capazes de perguntar e, inclusive, afirmar atrocidades como essas. O pior de tudo é que falam com uma naturalidade e leveza impressionantes. Porém, quando no silêncio da mente, podemos parar para refletir. “E se acontecer algo com seu filho?”. O que poderia acontecer? Pelo quê eu deveria esperar?

Um tipo de substituição, caso “aconteça algo com seu filho”

Podem existir doenças que colocam em risco a saúde das crianças, acidentes domésticos ou automobilísticos e até perigos inesperados. No entanto, não se trata de pensar – de forma absurda – que “se acontecer algo com seu filho, você vai ficar sem nada, nem ninguém”.

se acontecer

Pois cada filho – como cada pessoa deste mundo – é única e diferente. Cada um desses pequenos escreve uma história diferente na vida de suas mães. Portanto, em hipótese alguma se pode pensar em ter um filho para formar uma espécie de banco de reserva sanguíneo.

Certamente, nunca uma criança poderia substituir outra. Muito menos o amor e a alegria que um pequeno trouxer pode apagar o incêndio que a perda de um filho provoca. Por isso, esse nefasto pensamento tão enraizado socialmente carece completamente de sentido.

Não preciso desse tipo de mini plano B caso alguma coisa aconteça com meu pequeno pedaço de céu. Eu me nego a pensar ou transmitir, por meio dessas ondas negativas, algo ruim para o meu pequenino amor. Se escolhi não ter mais filhos ou considero que dessa forma meu filho está bem, não preciso me apegar a teorias cruéis e insensíveis.

Dar à luz por via das dúvidas? Não, obrigada!

Sim, muitas vezes é bom ter uma substituição para algum objeto caso o primeiro falhe, quebre, se perca ou qualquer outra eventualidade. Nesse caso, o papel do segundo bem material é de mero substituto ou auxiliar do primeiro. No entanto, quando dizemos “se algo acontecer com seu filho”, estamos falando sobre um tesouro não-material e sem igual.

Mas, dar à luz só por precaução? Não, obrigada, eu passo! Pois, qualquer pessoa que ame seu filho com todo seu coração sabe bem que se algo acontecer, ninguém poderá ocupar o lugar que é dele. Não há quem possa herdar o amor que você tinha guardado para ele, nem quem possa oferecer o mesmo carinho.

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Um segundo irmão jamais poderia devolver a esse mundo as sensações que o primeiro proporcionava. Simplesmente, porque são seres diferentes. Não se trata de amar mais um filho que outro. Simplesmente, uma mãe ama seus filhos com uma paixão inexplicável, mas ainda assim são seres completamente diferentes, com suas particularidades e suas características distintivas.

Quando dei a vida à dois filhos, não o fiz por meio de clonagem. Portanto, não há como ser a mesma coisa ter um ou outro filho ao meu lado. No fundo do seu coração, você vai compreender que ficou somente com um. E, ao ter perdido o outro, não há nada que possa mudar esse fato, dado que não há tristeza ou dor maiores que as provocadas pela morte de um filho.

Ninguém tem, ou pelo menos não deveria ter, dois filhos para caso um fique doente ou morra. Os filhos, geralmente, são escolhidos por amor, por vontade, como parte de um sonho. Buscamos formar uma família e ter um filho, de quem cuidamos sempre e para sempre.