A relação entre o engatinhar e a lectoescrita

15 Novembro, 2020
O desenvolvimento de uma criança pode ser comparado a subir uma escada. Você pode conseguir mesmo se pular um degrau, mas é melhor passar por todos eles. Nesse ponto reside a relação entre o engatinhar e a lectoescrita.

Você consegue imaginar seu filho subindo uma escada? Se ele avançar degrau por degrau, vai achar mais fácil chegar ao topo do que se pular alguns degraus, certo? Algo semelhante acontece na relação entre o engatinhar e a lectoescrita. A seguir, vamos explicar essa correlação.

Duas atividades que, a priori, podem parecer tão diferentes são, na verdade, complementares. Por quê? Porque, como no caso da escada, se passarmos por cada degrau sem pular nenhum, o processo de aprendizagem é mais fácil.

Essa é a comparação apresentada pela professora especialista Laura Estremera, que diferencia o amadurecimento da criança do seu processo de aprendizagem. Se não pularmos nenhum degrau em sua fase de desenvolvimento, conseguiremos minimizar as dificuldades durante os primeiros anos da criança, os quais são muito importantes para seu futuro.

O processo de aprendizagem e a relação entre o engatinhar e a lectoescrita

Assim, o engatinhar, que é uma conquista que o pequeno alcança entre os 9 meses e o primeiro ano de vida, vincula-se com a assimilação da escrita e a leitura, da mesma maneira que com outros eventos importantes que o bebê vai superando durante seu desenvolvimento inicial.

A relação entre o engatinhamento e a lectoescrita

Isso porque, quando o bebê engatinha, o cérebro humano, com seu corpo caloso, comunica ambos os hemisférios e ativa o padrão de movimento cruzado. Assim, o pequeno consegue mover ambos os lados de seu corpo simultaneamente.

Segundo a professora Estremera, a criança começa com o engatinhar contralateral. Ou seja, seu movimento faz uso de um braço e do pé oposto simultaneamente. Assim, vemos o amadurecimento do cérebro, que no futuro estará relacionado à aprendizagem da leitura e da escrita e de outros movimentos da criança.

Assim, enquanto dura a fase de engatinhar, o pequeno trabalha certos aspectos físicos e psicológicos que marcarão seu desenvolvimento futuro. Por exemplo, estabilidade, habilidade de coordenação motora fina e grossa, o tato nas palmas das mãos, a força, etc.

O pequeno amadurece as vias cruzadas no engatinhar e estas estão ligadas ao domínio lateral, de modo que ele já usa a mão com a qual tem mais destreza. Portanto, quando o bebê já sabe sentar, por exemplo, ele começa a aprender a fazer uma pinça com os dedos. Esse movimento estará intimamente relacionado ao uso do lápis ao escrever, que é segurado pelo polegar e pelo dedo indicador.

Movimentos livres e lectoescrita

A criança, pouco a pouco, começa a se mover mais livremente e desenvolve, por sua vez, sua capacidade exploratória e sua visão. Essa coordenação envolve o uso da mão, dos olhos e de todo o corpo para, por exemplo, obter um objeto de interesse.

Com o engatinhar e o movimento livre, a criança se torna consciente do espaço ao seu redor, descobrindo a altura, a profundidade, a distância… Tudo isso lhe permite coordenar o olho e a mão, fato que será muito relevante quando ela começar a escrever e unificar as informações recebidas com o objetivo final, que será ler ou escrever, como já comentamos.

A relação entre o engatinhamento e a lectoescrita

Portanto, o engatinhar, como a lectoescrita, é um processo de amadurecimento que evolui, de modo que não é necessário ter um adulto presente o tempo todo para acelerar o processo. Como afirma a pediatra especialista Emmi Pikler, a criança aprende sozinha em seu próprio ritmo e evolui quando está pronta para isso.

É prejudicial querer acelerar os processos naturais de aprendizagem do pequeno. Assim, tanto durante a fase de engatinhar como posteriormente, quando a criança aprende a ler e escrever, se ela tiver subido todos os “degraus” naturais de seu desenvolvimento, ela terá a oportunidade de lidar com ambas as ações no devido tempo com maior facilidade.

A relação entre o engatinhar e a lectoescrita e a não-interferência

Dito isto, lembre-se: deixe a criança definir o seu próprio ritmo. É importante não interferir e acompanhar e orientar com respeito. Será a criança que, pouco a pouco, vai pedir para aprender mais.

Na relação entre o engatinhar e a lectoescrita encontramos a mesma situação. A criança estabelecerá primeiro alguns conhecimentos que, no futuro, serão vitais para que, mais tarde, continue aprendendo até a idade adulta e mais além.