Qual é a relação entre o microbioma intestinal e o autismo?

08 Maio, 2020
As pessoas com o Transtorno do Espectro Autista também costumam ter alterações no seu microbioma intestinal. Atualmente, estudos sugerem que, se os problemas gastrointestinais forem aliviados, os sintomas das pessoas afetadas também poderão ser atenuados.

A seguir, vamos tentar trazer algumas informações importantes sobre a relação entre o microbioma intestinal e o autismo. Pouco se sabe ainda sobre a causa dos transtornos do espectro autista, mas ultimamente têm surgido estudos que o relacionam com o microbioma intestinal. Aliás, você sabe o que é isso? Continue lendo e descubra.

Todos os mamíferos têm um órgão invisível que até muito recentemente a ciência ignorava: o microbioma intestinal. Esse órgão é constituído por uma variedade incrível de microrganismos.

Atualmente, embora já tenhamos certeza de que dependemos do bom funcionamento desse órgão microbiano para sobreviver, estamos apenas começando a entender como esse consórcio microbiano nos complementa.

Como o microbioma intestinal funciona?

Certamente, você já sabe que há microrganismos que vivem no seu corpo. No entanto, talvez você não saiba o tamanho da população desses inquilinos.

É fácil entender que a comunidade mais densa e diversificada de microrganismo está no seu intestino. No entanto, quando você descobre que mais da metade da massa de suas fezes corresponde ao seu microbioma, a história muda de figura, não é verdade?

Os seus micróbios são tantos que eles têm a capacidade de completar o processo de digestão dos alimentos. Esse é um papel quase óbvio, mas outras tarefas deles podem ser surpreendentes.

Os seus micróbios são a peça-chave para o desenvolvimento do seu sistema imunológico e também para manter a sua capacidade de resposta. Além disso, eles lidam com a regulação do nosso metabolismo.

relação entre o microbioma intestinal e o autismo

Há relação entre esses micróbios e o cérebro?

A resposta é um sim categórico. Atualmente, a ciência mostrou que existe um eixo microbiota-intestino-cérebro que funciona como uma via de mão dupla. Isso significa que o estresse pode perturbar a composição da microbiota intestinal e que, por sua vez, o consórcio microbiano afeta o comportamento do hospedeiro.

Muitos desses estudos foram realizados em camundongos criados ‘sem germes’. Tais estudos mostraram que, quando falta a microbiota convencional, o comportamento, a expressão gênica no cérebro e o desenvolvimento do sistema nervoso são afetados.

Outros tipos de estudos, utilizando diferentes antimicrobianos e os primeiros transplantes fecais, mostraram que diferenças na composição do microbioma intestinal afetam o comportamento. Além disso, foi possível induzir ou aliviar a ansiedade ao alterar a composição do microbioma intestinal.

Atualmente, houve avanços nesse conhecimento em nível molecular. Assim, sabe-se que a alteração do ecossistema microbiano pode induzir alterações específicas de neurotransmissores e de seus receptores, incluindo a serotonina.

Qual é o papel do microbioma intestinal no autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa uma alteração no desenvolvimento neurológico caracterizada por dois déficits principais: comunicação e interação social prejudicadas.

O paciente exibe padrões restritos e repetitivos de interesses, comportamentos ou atividades. O TEA tem uma prevalência de 2 a 20 casos por 1.000 em todo o mundo.

relação entre o microbioma intestinal e o autismo

Atualmente, os principais sintomas do autismo não têm tratamento aprovado. Pessoas com TEA também costumam ter problemas gastrointestinais e uma alteração do seu microbioma intestinal.

De acordo com essa descoberta, um número crescente de estudos encontrou evidências que implicam a alteração da resposta imune e dos mecanismos neuroinflamatórios em pacientes com TEA.

Os problemas gastrointestinais associados à maioria dos casos de autismo sustentam a ideia de que esse distúrbio tem uma base fisiológica. Acredita-se que, se os problemas gastrointestinais forem aliviados, os sintomas também poderiam ser amenizados.

Um estudo recente demonstrou efeitos benéficos a longo prazo para crianças diagnosticadas com TEA. Isso é feito por meio de uma revolucionária técnica de transplante fecal, conhecida como terapia de transferência de microbiota.

A amamentação e a conformação do microbioma no Transtorno do Espectro Autista

A amamentação é um fator determinante na conformação do microbioma intestinal. Assim, estudar a amamentação em populações com TEA é objeto de interesse.

Um estudo de 2019 explorou a associação entre o TEA, o início da amamentação e os meses de duração. Até agora, a amamentação prolongada tem sido sugerida como um fator protetor contra o TEA, embora ainda sejam necessários estudos adicionais.

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