Síndrome da criança rica, o que é?

· 29 de novembro de 2017

“Era uma vez um homem tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro”. Acontece que a riqueza material não traz nenhum tipo de riqueza emocional. A síndrome da criança rica é real e por isso dedicamos esse artigo para falar sobre isso.

Vivemos em uma sociedade de consumo exagerado. Não é nenhum segredo que o ambiente em que vivemos, e principalmente a mídia, nos apresenta inúmeros produtos que nos fazem acreditar que seremos felizes somente se tivermos determinadas coisas.

Mas a felicidade é realmente isso? Quando somos crianças não damos muita importância às coisas. Na verdade, para uma criança o bem material é apenas um meio para se divertir e nunca um fim. No entanto, atualmente estamos atingindo o ponto crítico em que se educa para pode ter coisas. Surge assim a síndrome da criança rica.

A síndrome da criança rica

A síndrome da criança rica ou “ricopatia” é um transtorno associado às crianças que cresceram em ambientes de superproteção e compensação material por falta de atenção, tempo ou carinho. Não ocorre somente em famílias ricas. Existem famílias de classe média que também usam recursos materiais como método de criação dos filhos.

As crianças afetadas por esta síndrome geralmente apresentam um comportamento mimado ou até malcriado. Elas acreditam ter direito a tudo. Essas crianças não pedem, exigem.

São crianças preguiçosas e possuem uma tolerância muito baixa à frustração. Elas não sabem lidar se não receberem o que pedirem. Elas também tendem a ser violentas e a fazer birra quando não conseguem o que querem.

Menino com muitos brinquedos tende a ter o síndrome da criança rica

Consequências da síndrome da criança rica

Essas crianças acabam sofrendo vários problemas no desenvolvimento da personalidade. Quando elas crescem, geralmente apresentam:

  • Baixa autoestima. Elas não tiveram ajuda para desenvolver o seu potencial pois sempre receberam tudo sem precisar fazer nada, sem o menor esforço.
  • Má gestão emocional. Elas não sabem lidar com as suas próprias emoções o que acaba provocando mais insatisfação. Ninguém lhes ensinou o que fazer quando estão tristes, irritadas ou felizes. Por esses motivos elas não possuem ferramentas de gestão emocional.
  • Tolerância muito baixa à frustração. Eles não são capazes de aceitar que há momentos em que não se consegue o que se deseja e que as coisas nem sempre acontecem como se espera.
  • Agressividade. Essas crianças apresentam altos níveis de agressividade devido aos motivos mencionados acima. Elas geralmente apresentam problemas de comportamento no ambiente escolar, familiar ou qualquer ambiente social.
  • Álcool e drogas. Uma grande porcentagem de adolescentes criados nesses contextos apresentam problemas com álcool ou outras drogas.
  • Baixo rendimento acadêmico. Eles costumam mostrar um desempenho escolar fraco, pois não tem a capacidade de visualizar metas na vida.

O que é realmente importante não se mede com coisas nem se consegue com dinheiro

Responsabilidade dos pais?

Na maioria dos casos sim. Na tentativa de introduzir o seu filho nessa sociedade de consumo e status, muitos pais acreditam que é importante que o seu filho tenha tudo. Quanto mais, melhor.

Assim, eles enchem as crianças com um mar de brinquedos, os últimos modelos de celular, inúmeras roupas que, na verdade, elas não precisam. Muitas vezes o que os pais realmente querem é compensar o tempo que eles não puderam dedicar aos filhos. Mesmo que nem sempre consciente, esses pais acham que podem suprir a sua ausência comprando mais coisas. Porém, isso é um erro grave que pode trazer consequências negativas para as crianças.

Além disso, esses pais tendem a ser muito permissivos com seus filhos. Isso é um problema pois leva à falta de limites e ao não cumprimento de regras.

Crianças brincando

O que pode ser feito para evitar a síndrome do filho rico?

  • O tempo que você passa com seus filhos deve ser de qualidade. É compreensível que o trabalho seja uma necessidade, mas o tempo que você passa com eles deve ser o melhor momento do dia para todos. Tente aproveitar esse momento para brincar com seus filhos assim como para oferecer ajuda com os estudos e a lição de casa.
  • Estabeleça regras. As crianças precisam de limites e regras que as ajudem a diferenciar o que é bom e o que não é. Não precisa ser autoritário. Existem mil maneiras de educar adequadamente sem a necessidade de mandar.
  • Faça com que o esforço tenha recompensa. Ensine que com esforço elas serão capazes de conseguir muitas coisas. Para isso, ajude os seus filhos a descobrirem suas qualidades e os incentive a desenvolvê-las. Além disso, você pode recompensá-los quando conquistarem alguma coisa, desde que você pense qual prêmio é mais apropriado para cada idade. E claro, sem exceder os limites.