O que é a técnica da semeadura vaginal?

15 de agosto de 2017

A semeadura vaginal é uma prática cada vez mais difundida nos partos por cesárea. Também conhecida como microparto, essa técnica consiste em recolher uma amostra de fluido vaginal da mãe e colocar sobre a pele, boca e olhos do bebê.

A finalidade desta técnica é fazer com que o bebê entre em contato com as bactérias presentes no canal vaginal de sua mãe. Como sabemos, o bebê para de receber vários estímulos quando nasce por cesárea. Por isso, este procedimento tem como objetivo aumentar as bactérias intestinais para reduzir o risco de algumas doenças.

Riscos na prática da semeadura vaginal

Alguns especialistas acreditam que o remédio pode ser pior que a doença. Eles garantem que a semeadura vaginal pode implicar a transmissão de bactérias, tais como a gonorreia e o vírus do herpes simples. A técnica como tal poderia causar infecções no bebê devido à natureza das substâncias. De acordo com especialistas, há uma série de riscos que muitos pais não têm conhecimento.

Um dos principais perigos é a possível transmissão de bactérias nocivas para o bebê, como os estreptococos do grupo B, que podem colocar o bebê em risco causando infecções perigosas.

Especialistas afirmam ter de interromper esse tipo de procedimento devido à presença de herpes genital na mãe. Assim, embora a técnica em si seja reconhecida por seus benefícios, às vezes pode ser arriscada.

Qual é a origem desta técnica?

A semeadura vaginal começou a ser praticada quando os estudos descobriram que os bebês nascidos por cesariana têm um risco maior de desenvolver algumas doenças. Durante o crescimento, esses bebês tendem a desenvolver problemas de obesidade, alergias ou algumas doenças intestinais. A prática começou na Austrália com o propósito de protegê-los.

“Há muitas maravilhas no universo, mas a obra-prima da criação é o coração materno”

-Ernest Bersot-

Alguns especialistas descobriram que os bebês nascidos por cesariana têm um micro bioma. Isto é, eles apresentam um conjunto de microrganismos dentro do corpo que são diferentes dos bebês nascidos por parto vaginal. Por não serem expostos às bactérias no canal vaginal, eles desenvolvem um sistema diferente. Essas diferenças no micro bioma estão associadas com o desenvolvimento de obesidade e certas alergias como a asma.

A semeadura vaginal pode ter mais riscos do que benefícios

O parto por cesariana está associado a um risco maior de doenças imunológicas e metabólicas pela diferença de bactérias desenvolvidas nesse caso. Por isso a semeadura vaginal foi aconselhada nesses tipos de parto, embora nem todos os especialistas concordem com isso.

Alguns especialistas consideram que há mais riscos do que benefícios. Por essa razão eles aconselham a amamentação como uma medida alternativa para desenvolver a microbiota no bebê. O bebê pode receber a proteção desejada através do leite materno, sem a necessidade de correr esse risco.

O debate sobre a questão dos benefícios e malefícios da prática da semeadura vaginal é muito grande. Essa prática é mais comum em alguns países, especialmente naqueles onde menos cesarianas são realizadas.

É possível que haja uma ligação entre a cesariana e o risco de algumas doenças associadas à deficiência de certas bactérias intestinais. No entanto, ainda não se sabe ao certo se é possível influenciar a microbiota por meio da transferência de bactérias de mãe para filho com segurança.

Especialistas alertam aos hospitais que não devem praticar o método da semeadura vaginal em recém-nascidos. Acredita-se que essa prática possa apresentar alguns riscos e isso não é justificável. Portanto, outras práticas tais como a amamentação são aconselhadas. A amamentação tem um benefício poderoso, produzindo um efeito positivo sobre o desenvolvimento da microbiota intestinal do bebê.