Passar tempo com nossos filhos: qualidade ou quantidade?

29 de outubro de 2019
As crianças precisam tanto de nossa presença física tanto quanto de nossa atenção plena. Um equilíbrio entre qualidade e quantidade é o segredo para passar tempo com elas. 

Longas jornadas de trabalho, agendas apertadas e inúmeros compromissos. Provavelmente sentimos que esse estilo de vida nos impede cada vez mais de passar tempo com os nossos filhos. Por isso, queremos compartilhar algumas dicas para que possamos decidir melhor como administrar o nosso tempo com eles.

Passar tempo com os nossos filhos é uma questão essencial

Devido ao trabalho e às obrigações do dia a dia, fica cada vez mais complicado encontrar tempo para compartilhar com os nossos filhos. Em muitos lares, as crianças ficam a maior parte do dia aos cuidados das avós ou mesmo de pessoas que não são parte da família.

Isso está se transformando em um problema, já que a figura dos pais é insubstituível na vida de uma criança. A nossa presença é fundamental para o seu correto desenvolvimento emocional.

As crianças que não recebem a atenção necessária dos pais têm uma tendência a desenvolver personalidades agressivas e inseguras. É comum que se sintam sozinhas e internalizem a carência afetiva, acabando por transformar isso em dificuldade de se expressar e receber carinho. Essa situação pode, inclusive, prejudicar o rendimento escolar.

tempo com nossos filhos

Por outro lado, as crianças que contam com um correto acompanhamento dos pais costumam ser pessoas com uma autoestima saudável e mais autoconfiantes. Para elas, é algo fácil e natural estabelecer vínculos e interagir socialmente. Além disso, as comunicações familiares tornam-se mais satisfatórias e as relações em casa são de qualidade.

Dito isso, fica evidente a importância de proporcionar tempo, atenção e companhia aos nossos filhos. Mas de que modo?

Tempo de qualidade

Nos últimos tempos, tem aumentado a importância do conceito de ‘tempo de qualidade’. Podem ser encontradas muitas opiniões que defendem essa opção como a solução para as nossas vidas agitadas. Esse enfoque diz que se o tempo que dedicarmos aos nossos filhos for curto, porém intenso, terá sido suficiente.

Nada mais longe da realidade. Ocupar o pouco tempo que oferecemos a eles com muitas atividades divertidas não compensará a nossa ausência. Mesmo que durante a meia hora em que estivermos com eles digamos o tempo todo que os amamos, não deixarão de precisar de nós o restante do dia.

Qualidade não é um conceito genérico. Sair ao ar livre para andar de bicicleta não tem mais valor do que desenhar com aquarelas em casa. Tudo depende de cada criança. Para saber o que significa qualidade para os nossos filhos, devemos conhecê-los profundamente e, consequentemente, devemos dedicar tempo a eles.

É verdade que as jornadas de trabalho são muito extensas e que existem muitas outras obrigações, mas não devemos nos amparar no conceito de qualidade como justificativa da falta de convivência com os nossos filhos.

Tempo em quantidade

Por outro lado, existem pais que, devido às suas próprias circunstâncias de vida, podem passar tempo com os seus filhos com muita mais frequência. Inclusive, pode ocorrer que dediquem o dia inteiro a estar com eles.

No entanto, não é incomum ver como esses pais, tranquilos e confiantes por estar ao lado dos filhos, esquecem-se justamente de ser participativos.

De nada adianta estarmos na mesma casa em que os nossos filhos estão se não os ouvirmos quando nos querem contar sobre o seu dia a dia. O mesmo vale para se, enquanto desenhamos juntos, estivermos conferindo o celular o tempo todo, ou se, quando os ajudamos na lição de casa, permanecermos com um olho na televisão.

As crianças não só precisam da nossa presença física, precisam também sentir que realmente prestamos atenção nelas, que as escutamos e valorizamos. Precisam sentir que realmente estamos juntos ao lado delas.

tempo de qualidade

Passar tempo com os nossos filhos em corpo e alma

Então, qual é a solução? Encontrar um equilíbrio entre quantidade e qualidade. Logicamente, cada pessoa tem circunstâncias de vida diferentes, e o mais importante é fazermos o melhor que pudermos dentro das nossas limitações. Sobretudo, é preciso que sejamos conscientes para poder decidir.

Contudo, pequenas coisas, como levá-los conosco ao supermercado, podem fazer diferença. Compartilhar esse momento, escolhendo juntos os produtos, ensinando-os a pesar a fruta e conversando, fará com que se sintam importantes e valorizados.

Pedir para que participem conosco nas tarefas da casa, como se fosse um jogo, pode ser outra boa opção para passar tempo juntos enquanto realizamos os afazeres.

O mais importante, porém, é que sempre que possível prestemos atenção neles com os cinco sentidos: que os vejamos, os escutemos e prestemos atenção em tudo aquilo que querem nos mostrar ou contar. Perceber a nossa atenção e carinho fará com que cresçam sentindo-se importantes.