Os terríveis dois anos

13 Dezembro, 2019
Os dois anos constituem uma pequena adolescência na qual a criança começa a explorar a sua personalidade e a exigir autonomia. Neste artigo, descubra como lidar com isso.

Os dois anos são uma fase de grandes mudanças fisiológicas e psicológicas para as crianças, quase como uma pequena puberdade. Elas começam a exigir autonomia e expressar sua personalidade de maneiras que, às vezes, podem deixar os adultos desesperados.

Essa fase pode começar por volta dos 18 meses e se estender até os quatro anos. É uma fase normal pela qual as crianças devem passar, embora, dependendo da criança e das circunstâncias familiares, ela possa ser vivida de uma maneira mais ou menos intensa.

O que são os terríveis dois anos?

Qualquer pai com filhos que já tenham passado por essa idade pode atestar a mudança radical que é sentida no comportamento das crianças aos dois anos. Alguns dos comportamentos mais frequentes são:

  • A criança se torna caprichosa e quer impor as suas vontades a todo custo.
  • Ela se torna egocêntrica e possessiva, não quer dividir.
  • O “não” é instaurado no seu vocabulário, e ela se torna teimosa e cabeça dura. Não aceita ordens ou a ajuda de qualquer adulto.
  • Ela fica com raiva facilmente, por coisas mínimas. Chora, grita e faz birra com frequência.
  • Na ânsia de impor as suas decisões, algumas crianças podem começar a recusar alimentos ou atividades que anteriormente aceitavam sem problemas.
  • Apesar das tentativas dos pais, quando ocorre uma birra, a criança não ouve nem raciocina.
Compreendendo os pequenos

Compreendendo os pequenos

Nesse ponto de confusão e exaustão, muitos pais se perguntam quem trocou o seu anjinho por um pequeno ser humano histérico e descontrolado. O que pode ter acontecido?

Nessa idade, o desenvolvimento cognitivo e motor da criança já evoluiu consideravelmente. O pequeno já é capaz de se movimentar e andar sozinho, da mesma forma que consegue raciocinar e escolher. A criança começa a saber o que quer e deseja ter a sua vontade atendida.

Até então, o seu eu estava tão fundido com o da sua figura principal de apego que a criança mal conseguia perceber a diferença. No entanto, agora ela começa a se perceber como um indivíduo separado da mãe, com identidade, personalidade e habilidades próprias.

Então, é desencadeada a necessidade de autodeterminação para apreciar e usar essa diferenciação com a mãe. A criança passa a explorar os próprios gostos, ideias e personalidade. Ela quer escolher e fazer as coisas sozinha, sem a ajuda ou a intervenção de adultos, e fica muito brava quando essa independência não é respeitada.

A criança agora vê os seus desejos, mas não as suas limitações. Ela sabe o que quer, embora não saiba muito bem como conseguir isso. Ela começa a se tornar mais consciente de si mesma e a experimentar emoções mais complexas, tais como o orgulho ou a vergonha.

No entanto, ainda não tem a capacidade de gerenciar ou expressar as suas emoções claramente e, diante de uma negativa dos pais, ela só consegue reagir com a birra. Nesse momento, ela não é totalmente capaz de entender por que não pode ter o que tanto quer e por que há limitações.

crianças caprichosas

A criança agora vê os seus desejos, mas não as suas limitações.

Essa é uma fase complicada tanto para os pais quanto para os filhos que, em muitas ocasiões, talvez nem saibam o que está acontecendo com eles ou porque estão se sentindo tão irritados.

Dicas para superar os terríveis dois anos

Apesar de ser uma fase normal e passageira, pode ser realmente desesperadora para os pais. A frustração e o desamparo podem se tornar parte do dia a dia e, às vezes, eles vão se sentir tão carentes de recursos que terão vontade de jogar a toalha.

É essencial lembrar que, mesmo que façamos tudo certo, não veremos resultados imediatos nos nossos filhos. As birras vão acontecer e, mesmo assim, o caminho da paciência, do amor e do respeito sempre será o caminho certo.

  • Não reaja com violência, não grite nem bata no seu filho. Mantenha a calma e converse com ele com amor. Acompanhe a birra pacientemente e, uma vez que ela tiver terminado, explique os seus motivos com calma.
  • Ceda com moderação. Na medida do possível, evite dar um sonoro “não” como resposta. É preferível oferecer várias opções para que a criança possa escolher. Se o desejo da criança for aceitável, ceda. Se não for aceitável, mantenha-se firme e acompanhe-a na sua frustração.
  • Tente manter algumas rotinas e notifique a criança com antecedência sobre o que vai acontecer. Isso vai proporcionar segurança.
  • Não a julgue nem a critique duramente pelas birras. Ela não faz isso por mal, mas sim porque ainda está aprendendo a viver e, nessa idade, alguns comentários cruéis podem prejudicar a sua autoestima gravemente.
  • De Piaget, T. D. D. C. (2007). Desarrollo Cognitivo: Las Teorías de Piaget y de Vygotsky.
  • Etxebarria, I. (2003). Las emociones autoconscientes: culpa, vergüenza y orgullo. EG Fernández-Abascal, MP Jiménez y MD Martín (Coor.). Motivación y emoción. La adaptación humana, 369-393.