Apego e hiperpaternidade

21 de setembro de 2019
É necessário e de vital importância que os pais permitam o desenvolvimento da criatividade e da iniciativa própria das crianças. Porém, também é necessário lembrar a necessidade de evitar exercer um excesso de proteção, o que também é chamado de hiperpaternidade.

Esses dois conceitos, apego e hiperpaternidade, são termos usados para caracterizar uma tendência cultural em relação ao estilo de criação dos filhos. É algo que começou a ser discutido no começo deste século. E, atualmente, diferentes sociólogos e psicólogos têm alertado sobre os efeitos negativos desse fenômeno social.

A preocupação excessiva dos pais pelos seus filhos tem como resultado uma geração de crianças ansiosas e inseguras. Em alguns casos, elas apresentam até mesmo problemas de saúde.

É normal que os pais desejem o melhor para os seus filhos e tentem protegê-los dos perigos. No entanto, seguir um padrão de criação baseado no apego excessivo excede os limites de um relacionamento psicologicamente saudável entre pais e filhos.

Atualmente, em muitos casos, fala-se de um excesso de cuidados, ou de pais envolvidos demais na vida dos filhos. Diferentes denominações são dadas: pais helicóptero, mãetoristas, pais limpa-trilhos, pais guarda-costas. Mas o nome adequado seria hiperpais.

O que é a hiperpaternidade?

Ser os melhores pais sempre será o principal objetivo de todos aqueles que começam uma família. Entretanto, às vezes, essa motivação pode ser expressa com ímpeto demais. A hiperpaternidade se refere aos pais que estão excessivamente envolvidos na vida dos filhos.

Um excesso de proteção por parte dos adultos pode limitar o desenvolvimento dos pequenos. A questão é que isso influencia demais na personalidade, pois as crianças são pressionadas com inúmeras atividades extracurriculares e há interferência na sua vida social, entre outras atitudes negativas.

A hiperproteção dos pais pode interferir no destino acadêmico e na carreira profissional do jovem, além de restringir a sua autonomia e independência. Os pais, portanto, são chamados a encontrar um equilíbrio e evitar cair na armadilha da hiperpaternidade.

Como ter hiperpais afeta as crianças 

Alguns sinais de alerta

Certas ações dos pais indicam o risco de cair na armadilha da hiperpaternidade:

  • Mimar a criança excessivamente.
  • Falar no plural sobre as tarefas que são da criança, tais como atividades escolares e extracurriculares.
  • Tomar todas as decisões.
  • Antecipar os desejos da criança.
  • Evitar a todo custo que a criança fique entediada, de tal forma que todos os tipos de aparelhos eletrônicos sejam comprados: tablets, consoles de videogame e tudo o que estiver na moda.
  • Usar frases como “coitado, ele é pequeno”, “está cansado” ou outras semelhantes para dar uma desculpa para a criança e até mesmo fazer algumas das tarefas dela.
  • Estimular a criança em excesso.
  • Monitorar permanentemente.
  • Ser permissivo.
  • Confundir a criança quanto aos papéis de autoridade em casa.

“A preocupação excessiva dos pais pelos filhos tem como resultado uma geração de crianças ansiosas e inseguras.”

Como ter hiperpais afeta as crianças?

As crianças que vêm de lares com pais que têm problemas de hiperpaternidade geralmente desenvolvem comportamentos inadequados. Na maioria dos casos, elas não conseguem se desenvolver sozinhas e não adquirem habilidades para resolver os problemas diários na escola ou em outras áreas por si mesmas.

Essa limitação no seu processo de desenvolvimento as torna:

  • Inseguras, pouco propensas a tomar decisões.
  • Poucos tolerantes à frustração.
  • Não tomam decisões com autonomia.
  • Têm pouca consciência do risco e acham difícil estabelecer relações de custo-benefício.
  • Estressadas devido à pressão constante dos pais.
  • Caprichosas.
  • Não mostram empatia em suas relações com os outros.
  • Não entendem a relação sucesso-recompensa.
Apego e hiperpaternidade

Por que as crianças precisam de espaço?

As crianças precisam que seus pais deem a elas amor, respeito e proteção. Eles devem ser o seu guia e mantê-las seguras, felizes e saudáveis.

Além disso, os pais devem ensinar as ferramentas emocionais básicas, necessárias para resolver os problemas e conflitos que surgirão no curso da vida.

Por outro lado, os adultos devem ser capazes de estabelecer limites, permitir que seus filhos cometam erros e tomem decisões com autonomia e respeito. Dessa forma, sua autoestima e autoconfiança serão fomentadas.

É necessário considerar a importância de que as crianças desenvolvam a sua própria personalidade, descubram as suas preferências e do que não gostam. Isto é, elas precisam de espaço para crescer e se tornar adultos responsáveis, para cuidar de si mesmas e de suas ações.

Por tudo isso, os pais devem ser assertivos e evitar estilos de criação autoritários e/ou permissivos. Eles devem usar o reforço positivo, por exemplo, como uma alternativa. Embora sempre pensem no bem-estar integral de seus filhos, é essencial aprender a não pressioná-los ou mimá-los demais.

A constante supervisão das crianças não lhes garantirá uma vida perfeita. É necessário, portanto, deixá-las crescer e se desenvolver como indivíduos para uma vida mais completa e feliz.