Timidez na infância: como enfrentar?

5 de abril de 2019
A timidez se desenvolve ao longo dos diferentes estágios da infância. É um padrão de comportamento que representa um desafio real. A criança tímida tem dificuldades para interagir com o ambiente e tem medo de enfrentar novas situações.  

Em muitos casos, a timidez na infância é um problema sério. No entanto, é um traço de personalidade de muitas pessoas. Durante a infância, essa característica pode fazer parte do desenvolvimento da criança. Por esse motivo, certos comportamentos são considerados normais.

Embora a origem da timidez na infância possa ser genética, o ambiente em que a criança vive e o tratamento dos pais influenciam muito. Portanto, se medidas adequadas forem tomadas, a criança pode superar essa característica e ser extrovertida quando crescer.

Para isso, é necessário entender o que acontece com a criança em cada etapa. Dessa forma, os pais terão as ferramentas necessárias para que a criança desenvolva as habilidades e não se limite pela timidez.

Sinais de timidez nas diferentes fases da infância

Muitas crianças são naturalmente tímidas desde que nascem. Grande parte do comportamento em relação à timidez durante a infância é devido à neuroquímica. Por esse motivo, ela se mostra cautelosa, apresentando receio diante de novas situações.

Primeiros meses

Durante os primeiros meses, alguns bebês são mais tolerantes à companhia de pessoas diferentes, mesmo que não pertençam ao seu ambiente comum. Geralmente, quando alguém sorri ou é amigável, o bebê se sente confortável.

Nesse período, ele já reconhece os pais. No entanto, ainda não consegue identificar os rostos de cada um deles. Portanto, atender às suas necessidades e demandas de atenção ajuda a evitar a timidez excessiva nos estágios posteriores.

timidez na infância

6 meses de idade

Aos seis meses de idade, o bebê tende a ser muito desconfiado. Ele já reconhece os rostos de seus pais e daqueles que passam mais tempo com ele. Portanto, estranha ou sente insegurança quando vê um rosto novo.

Nessa fase, é muito comum que o bebê queira sentir apoio e segurança, e portanto, busca quem está acostumado a ver. Assim, quando não consegue encontrar um rosto conhecido, expressa o medo da separação.

Por medo de que o bebê se torne muito dependente, muitos pais forçam a separação. No entanto, isso é algo que o pequeno deve aprender sozinho. À medida que cresce, ele começa a se sentir mais seguro, embora possa ainda apresentar timidez de uma forma ou de outra.

2 anos de idade

Aos dois anos, as crianças tendem a não cumprimentar estranhos, inclusive se escondem atrás de seus pais para se sentir seguras.

Embora esse comportamento esteja ligado à timidez, na realidade, as crianças nessa fase são socialmente seletivas. Se elas não interagem com outras crianças, não é porque não gostam, é porque provavelmente preferem brincar sozinhas.

Muitas vezes, as crianças se incomodam com a presença de outras e demonstram esse desconforto tirando os brinquedos delas ou as tratando mal. Por isso, evitar essas situações traz mais tranquilidade. No entanto, se a timidez nas diferentes etapas da infância for excessiva, pode ser um problema.

Se a criança chegar aos três anos e continuar sem interesse social, não brincar com outras crianças, tornar-se insensível ao contato físico, não se expressar de forma clara ou mostrar ansiedade diante novas situações, pode ser necessário a ajuda de especialistas.

3 anos de idade

Entre três e seis anos de idade, a criança começa a desenvolver certas capacidades intuitivas. Por isso, ela consegue ter uma melhor interação com os demais. No entanto, isso também pode causar certos medos e pode fazer com que ela se torne mais sensível ao se relacionar com os outros.

Muitas vezes a criança se preocupa demais com o que pensam dela e não suporta os comentários negativos. Além disso, ela tem medo de não satisfazer as expectativas de seus pais. Essas crianças tendem a se tornar autocríticas, dão mais atenção aos seus pontos fracos e acham que não têm coragem o suficiente para enfrentar algumas situações.

Como combater a timidez na infância?

Antes de mais nada, é necessário considerar como as crianças expressam as suas emoções. Muitas vezes, o comportamento, o modo de brincar e os desenhos podem dar uma ideia do que a criança sente. Isso é útil porque, nos estágios iniciais, é difícil expressar com palavras.

  • Muitas vezes as crianças podem se sentir intimidadas por um estranho. Inclusive, se estiverem brincando, param imediatamente. Para superar esse momento incômodo, os pais precisam tranquilizá-las. Um sorriso, um abraço ou palavras de encorajamento são de grande ajuda para o pequeno se sentir mais confiante.
  • Mesmo que o seu filho não se sinta confortável, não é recomendável que fique longe das outras crianças. É preciso ajudar a integrar. A exposição social é muito benéfica e, com o tempo, faz com que a criança se sinta relaxada e segura na frente das pessoas.
  • Quando for um pouco mais velha, no estágio em que ela já escuta e raciocina com os outros, não é aconselhável simplesmente dizer à criança que ela é tímida. Isso pode parecer uma crítica e, consequentemente, ela pode se tornar mais retraída.
  • Para estimular a autoconfiança da criança, é melhor dizer que ela precisa de tempo para se sentir confortável com estranhos.
  • Também é essencial que você tenha expectativas realistas, afinal a timidez nos diferentes estágios da infância pode ser superada. Além disso, esperar muito pode ter um impacto no comportamento do pequeno.
Os problemas de timidez na infância podem ser facilmente superados.

É possível superar a timidez na infância?

Embora seja preocupante, não há como saber se uma criança vai deixar de ser tímida. Em muitos casos, a timidez nos diferentes estágios da infância pode, sim, ser superada, e as crianças podem se desenvolver abertamente à medida que crescem.

De fato, a experiência adquirida pela criança com o tempo consegue superar as características genéticas. Portanto, você não precisa se preocupar. Como mãe ou pai, é preciso se esforçar para oferecer estabilidade, apoio e carinho. Se você ajudar o seu filho a se sentir confortável, certamente ele ganhará a confiança necessária para superar a timidez.

  • Cano Vindel, A., Pellejero, M., Ferrer, M. A., Iruarrizgada, I., & Zauzo, A. (2001). Aspectos Cognitivos, Emocionales, Genéticos Y Diferenciales De La Timidez. Revista Electrónica de Motivación y Emoción
  • Ito, L. M., Roso, M. C., Tiwari, S., Kendall, P. C., & Asbahr, F. R. (2008). Terapia cognitivo-comportamental da fobia social. Revista Brasileira de Psiquiatria. https://doi.org/10.1590/S1516-44462008000600007
  • Olivares, J., Rosa, A. I., Piqueras, J. A., Sánchez-Meca, J., Méndez, X., & García-López, L. J. (2002). Timidez y fobia social en niños y adolescentes: Un campo emrgente. Psicologia Conductual. https://doi.org/10.1016/S0975-3575(11)80026-X