Tipos de socialização

Ao longo de suas vidas, os indivíduos aprendem interagindo com os outros, incorporando os elementos de sua cultura.
Tipos de socialização
María Matilde

Escrito e verificado por a pedagoga María Matilde.

Última atualização: 13 abril, 2023

A socialização é fundamental na construção da personalidade e identidade de meninos e meninas. Aborda aspectos centrais quanto à incorporação de conhecimentos, habilidades, concepções e ideias sobre a realidade.

Falamos de tipos de socialização em função da instituição que a rege ou do momento ou fase da vida em que nos encontramos. Classificadas em socialização primária, secundária e terciária, as descreveremos a seguir.

O que é a socialização?

É um processo por meio do qual o ser humano aprende ao longo de sua vida os elementos socioculturais de seu meio. A socialização implica a internalização das normas e dos valores de uma sociedade e cultura específicas para integrá-los à sua própria personalidade.

Começa no nascimento e evolui durante todas as fases do ciclo de vida. A pessoa adota padrões sociais alcançando a autorregulação necessária que confere aos seus atos independência e autonomia.

De fato, como afirma o psicólogo Santiago Yubero, “pode-se dizer que a autorregulação é a base da socialização, que não requer apenas consciência cognitiva, mas também, e muito importante, controle emocional“.

Tipos de socialização.

Tipos de socialização: primária, secundária, terciária

A socialização é um processo que permite aos indivíduos, desde os primeiros anos de vida e de geração em geração, a transmissão de cultura, valores e comportamentos sociais, em contextos específicos.

Isso lhes permite aprender e compartilhar conhecimentos específicos, desenvolver seu potencial e expandir suas habilidades, a fim de se adaptar à vida no modelo de sociedade em que cresceram.

Socialização primária

Indiscutivelmente, a socialização primária é a mais importante, pois é a primeira fase que o indivíduo passa na infância. É a sua introdução na sociedade e a base sobre a qual se assentarão as outras socializações posteriores.

Na socialização primária, o sujeito interioriza um ‘mundo objetivo’ social construído por outros significativos que, neste caso, é a família, que cumpre o papel de agente socializador primário.

O núcleo familiar é responsável por atender às necessidades físicas das crianças, e é nele que ocorre a dinâmica em que elas vão evoluir e progredir. Dessa forma, elas se desenvolverão em um nível cognitivo, social, psicológico e de conformação da personalidade. Assim, determinados padrões de comportamento serão gerados.

A principal característica da socialização primária é sua forte carga afetiva, que influencia e determina de certa forma o desenvolvimento psicoevolutivo da criança. Assim como a forma como o tipo e as características específicas da família também influenciam em relação a fatores como nível socioeconômico, níveis de escolaridade, valores religiosos, morais e sociais.

Socialização secundária

A socialização secundária é aquela posterior à primária que introduz o sujeito, já socializado, em novos setores do mundo objetivo da sociedade. É precisamente a entrada no mundo acadêmico que supõe uma mudança importante para as pessoas, sendo a instituição escolar o principal agente socializador.

A escola supõe a aprendizagem e a interiorização de normas e valores sociais que reforçam ou, por vezes, contradizem os aprendidos durante a socialização primária. A escola é o ambiente formal em que ocorre a transmissão cultural, o reconhecimento de autoridade e hierarquias, bem como o aprendizado de determinados padrões de comportamento.

A socialização secundária e o grupo de pares

A escola é o ambiente por excelência no qual se desenvolvem diversas relações sociais e se formam os chamados grupos de pares. Estes são formados por amigos e colegas de escola, com os quais crianças e adolescentes passam a ter uma relação mais próxima, tornando-se sua principal referência.

Os grupos de pares oferecem a possibilidade de partilha de gostos e passatempos, implicam apoio mútuo e compreensão em que os jovens procuram reafirmar-se e obter aceitação. O grupo de pares constitui o cenário mais importante para o processo de formação da identidade e da personalidade.

Tipos de socialização.

O grupo de pares é formado como uma subcultura juvenil na qual existem fortes laços de lealdade, com códigos, modas, modos de se comportar e se relacionar próprios. No grupo, é fortalecida a necessidade de independência e autonomia em relação à autoridade dos adultos, principalmente dos pais.

Vale ressaltar que, juntamente com a escola e o grupo de pares, a mídia atua como um agente socializador secundário muito poderoso. Atualmente, graças à tecnologia e às redes sociais, muita informação circula e é dada visibilidade à moda, aos valores e aos estilos de vida promovidos por pessoas e empresas com grande influência.

Socialização terciária

Alguns autores falam de uma terceira etapa do processo de socialização das pessoas, que se inicia com a velhice e coincide com a aposentadoria. Isso implicaria grandes mudanças nas rotinas e nas relações sociais cotidianas associadas ao mundo do trabalho.

Outros autores sustentam que a socialização terciária supõe um nível diferente de socialização e que é vivida por aquelas pessoas que experimentaram um desvio da norma social, como pessoas que cometeram crimes e estão na prisão, que devem passar por uma etapa de ressocialização como condição para poder reintegrar-se na sociedade.

Os agentes sociais responsáveis pela socialização terciária ou ressocialização são as autoridades competentes e os profissionais que integram as instituições penitenciárias, como psiquiatras, médicos, psicólogos, educadores sociais, etc.

Agentes socializadores

A socialização ocorre por meio da interação constante com os agentes sociais, de acordo com a idade ou a fase da vida em que a pessoa se encontra. Referimo-nos às diferentes instituições que constituem a sociedade, incluindo a família, a escola e os meios de comunicação.

A família é um instrumento eficaz de transmissão de valores e o fará seguindo estilos parentais permissivos, negligentes, autoritários ou democráticos. Nesse sentido, observaremos uma socialização repressiva ou uma socialização participativa.

Na escola, por seu lado, as crianças estabelecem relações sociais com os seus pares e com os mais velhos. Ao mesmo tempo, gera e promove dinâmicas escolares dentro da própria família.

O círculo social do pequeno é ampliado com os pais e as mães da escola, com a geração de atividades extracurriculares e do ambiente de trabalho, transformando a dinâmica dos encontros sociais e familiares.

Tudo isto também ocorre num ambiente sulcado pela influência incessante dos meios de comunicação, hoje não só concentrados e estáticos nas tradicionais televisões ou rádios, mas na presença ubíqua e absoluta das telas.

As profundas mudanças trazidas pela tecnologia de comunicação digital nos estilos de vida e comportamentos são inquestionáveis. É cada vez mais evidente que sua gestão define espaços de inserção e formas de interação na família e na sociedade.

Importância da socialização

A socialização permite que a criança se integre na sociedade. Isso passa por sua adaptação aos seus pares e coloca a herança de tradições econômicas, sociais, tecnológicas, religiosas, estéticas e linguísticas herdadas em uma relação interativa. Com esse pano de fundo, a pessoa se posiciona e estabelece sua condição e seu papel na comunidade.

No fundo, a importância reside no fato de tornar as crianças e os jovens autossuficientes, autocontrolados, autônomos. Com a capacidade de realizar suas atividades individualmente sob as regras que a sociedade possui.

Sob esses parâmetros, uma socialização frutífera e harmoniosa é de suma importância.


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