O transtorno de apego desinibido

19 Novembro, 2020
Às vezes, há crianças que exibem comportamentos sociais desinibidos diante de estranhos. O mais comum é que os pequenos relutem para interagir com pessoas que não conhecem.

Os pais gostam que os filhos tenham uma boa socialização e que sejam capazes de se relacionar com os outros de forma adequada. No entanto, às vezes, os comportamentos desinibidos da criança podem indicar que ela sofre de um transtorno de apego desinibido.

É comum que esse transtorno apareça entre os 9 meses e os 5 anos, durante a primeira infância, embora possa persistir ao longo do tempo. Caracteriza-se pelo fato de que o pequeno não tem nenhum medo e nenhum receio para iniciar uma interação com estranhos, além de apresentar um comportamento social desinibido. Você quer saber mais sobre o transtorno de apego desinibido? Então continue lendo.

Características do transtorno de apego desinibido

  • As crianças com esse transtorno apresentam comportamentos sociais desinibidos, ou seja, não se assustam diante da presença de outras pessoas que não conhecem e imediatamente estabelecem uma interação como se as conhecessem.
  • Esses comportamentos complicam seu relacionamento com outras crianças ou adultos.
  • Surge na infância, entre os 9 meses e os 5 anos, embora o transtorno possa continuar presente após essas idades.
  • Iniciam contato com qualquer desconhecido e podem colocar sua vida em risco porque não veem o perigo de iniciar uma conversa ou de ir embora com um estranho.
  • Buscam apego, mesmo que seja com desconhecidos.
O transtorno de apego desinibido

Critérios diagnósticos

Esses critérios são os que estão incluídos no manual do DSM-V:

  1. Comportamentos de aproximação com estranhos com ausência de desconfiança.
  2. A criança já passou por situações em que teve falta de cuidado ou apego por parte do seu cuidador principal.
  3. Idade compreendida entre os 9 meses e os 5 anos.
  4. Esses comportamentos devem estar presentes durante pelo menos 12 meses. Acima dos 4 anos, os sintomas seriam direcionados por constantes chamados de atenção e pela expressão de afeto de forma desproporcional.

Sintomas associados ao transtorno de apego desinibido

A maioria dos sintomas tem a ver com o comportamento da criança, mais especificamente, com a sua forma de se relacionar socialmente com os outros, principalmente com os adultos.

  • Ausência de sentimentos de medo em relação a estranhos.
  • Interagir de maneira desinibida com adultos desconhecidos ou estranhos.
  • Geralmente, não recorrem ou precisam dos seus pais ou cuidadores em um ambiente estranho.
  • Tendência a acompanhar adultos estranhos.
  • Comportamento de afeto verbal e físico excessivo para sua idade e as normas sociais.

Causas do transtorno de apego desinibido

  • Pode ser causado por um transtorno de apego na infância se não tiver recebido os cuidados e o afeto necessários quando era bebê.
  • Além disso, existem algumas teorias que indicam que pode haver algumas circunstâncias biológicas associadas ao caráter da criança e sua regulação do afeto. Elas indicam que pode haver certas alterações em algumas áreas do cérebro, tais como o hipocampo, a amígdala ou o córtex pré-frontal, que dão origem a esses problemas de comportamento, embora ainda não tenham sido confirmadas.
O transtorno de apego desinibido

Tratamento

Nesses casos, é aconselhável proporcionar à criança uma figura de apego estável. As crianças com esse transtorno têm padrões de relacionamento totalmente distorcidos. Assim, é necessário trabalhar, tanto com ela quanto com os pais, para estabelecer uma interação positiva entre eles.

Nesse sentido, o objetivo é mudar tanto o comportamento dos pais quanto o da criança.

  • Com os pais, deve ser trabalhada a forma de transmitir segurança, de estar emocionalmente disponível e de permanecer como uma figura de apego.
  • Com a criança, deve ser trabalhada a reconstrução do sentimento de segurança para reconstruir o vínculo de apego de forma positiva e saudável.

Ajuda para o transtorno de apego desinibido

Se você suspeita ou tem dúvidas de que o seu filho possa ter o transtorno de apego desinibido, é importante procurar ajuda profissional para fazer uma avaliação mais completa e, assim, encontrar uma solução o mais rápido possível.

  • American Psychiatric Association (APA).(2013).Diagnostic and stadistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric PUblishing.
  • Fernández Rivas, Aránzazu; Ortiz Villalobos, Aránzazu; Rodríguez Ramos, Prudencio. (2010). “8. Trastorno reactivo del vínculo, TEPT y abuso crónico”. César Soutullo Esperón y María Jesús Mardomingo Sanz, ed. Manual de Psiquiatría del Niño y del Adolescente. Madrid: Editorial Médica Panamericana. p. 131