Transtorno reativo de apego: causas, diagnóstico e tratamento

· 14 de janeiro de 2018

O transtorno reativo de apego é resultado de um tratamento inadequado por parte das figuras de apego durante a infância. As consequências e sequelas na idade adulta podem ser devastadoras se a criança não receber a atenção necessária.

Você já se perguntou como não receber o tratamento adequado por parte dos pais afeta a vida de uma criança? Você já ouviu falar do transtorno reativo de apego? Continue lendo para saber mais sobre esse transtorno que atinge muitas crianças.

O transtorno reativo de apego é uma realidade que atinge muitas pessoas. É um problema resultante de um tratamento inadequado por parte das figuras de apego durante a infância e provoca consequências devastadoras na idade adulta.

Saber quais sintomas a criança apresenta e corrigir o quanto antes é fundamental para a recuperação e o posterior desenvolvimento da criança como uma pessoa adulta equilibrada, confiante e feliz.

“Reformular o conceito de si mesmo, assumindo que merece ser amado mesmo que não tenha recebido amor de quem deveria ter recebido é um caminho difícil, mas restaurador”

O que provoca o transtorno reativo de apego?

O apego é o vínculo afetivo que une um bebê ao seu cuidador. Geralmente, os primeiros cuidadores são os pais. Por isso, o vínculo costuma ser formado com eles.

Os pais dão carinho, segurança e proteção ao bebê e, com base nessas necessidades básicas, vai sendo criada uma união que durará a vida toda. Dependendo de como o apego for formado, o desenvolvimento adulto da criança será definido.

transtorno reativo de apego

Mas o que acontece quando esse vínculo é tóxico? Falamos de quando um bebê, em vez de receber atenção, sofre abandono, abuso ou falta de cuidado. É então que podemos falar de transtorno reativo de apego.

Pais que não cuidam física ou emocionalmente dos seus filhos ou uma troca frequente do cuidador primário dos bebês podem provocar o desenvolvimento desse transtorno.

Como identificar o transtorno reativo de apego?

Quando as crianças têm um modelo de apego deficitário, elas desenvolvem diferentes estratégias para conseguir se sentir seguras no mundo.

Assim, dependendo da criança, essas estratégias podem ser desenvolvidas com base em dois polos opostos:

  • Tipo inibido. As crianças que pertencem a esse grupo vão apresentar tendência à introversão. Elas não vão apreciar a companhia das pessoas e vão preferir ficar sozinhas. Além disso, vão rejeitar qualquer tipo de contato físico com os outros, inclusive com a figura de apego principal. Ela vai sofrer de episódios de irritabilidade, tristeza ou medo sem causa aparente. Será incapaz de construir relações de confiança, característica que poderá se manter presente durante toda a vida.
  • Tipo desinibido. As crianças desse grupo vão buscar afeto com qualquer pessoa e em qualquer lugar. Não terão a cautela de distinguir entre desconhecidos e família. Por isso, vão se aproximar de qualquer adulto em busca do apoio emocional não recebido da parte dos cuidadores.

Além disso, como sintomas comuns também podemos destacar a falta de empatia e a baixa tolerância à frustração.

Esses sintomas não pertencem exclusivamente ao transtorno reativo de apego, mas o identificam. Para um diagnóstico mais real e correto, será necessária a consulta com um profissional.

“Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz”

-Tom Robbins-

Como tratar o transtorno reativo de apego?

Assim que for diagnosticado o transtorno, o tratamento a ser seguido deve ser determinado por um especialista. É necessário avaliar o grau do transtorno que a criança apresenta.

A terapia costuma ser efetiva. Dependendo da idade da pessoa, será mais ou menos complicado reconstruir a percepção do apego. No caso de uma criança pequena, será necessário encontrar uma figura de apego emocionalmente disponível para ela.

transtorno reativo de apego

Quando o transtorno é diagnosticado na idade adulta, o tratamento é mais complicado, mas não impossível. Abordar uma infância de abandono, abuso ou ausência completa de cuidado para conseguir resolver esse problema será, sem dúvidas, doloroso.

Uma coisa comum a todas as pessoas que sofrem desse transtorno é o sofrimento. O fato de não ter recebido o amor, o cuidado e o carinho que mereciam provoca uma grande sensação de medo, medo de enfrentar qualquer coisa. Em muitos casos as pessoas não estão conscientes disso. Por isso, muitas vezes a intervenção de um profissional é fundamental.

Reformular o conceito de si mesmo, assumindo que merece ser amado mesmo que não tenha recebido amor de quem deveria ter recebido é um caminho difícil, mas restaurador.