Você me fez ser mais forte, mas sempre será minha fraqueza

· 25 de junho de 2017

Já falamos muitas vezes: a chegada de um filho muda nossa vida, nos deixa mais fortes, ameniza nossas fraquezas e incertezas para encher nossa vida de esperança e coragem. No entanto, precisamos admitir uma coisa, essa nova vida que temos nos nossos braços sempre será nossa maior fraqueza.

Gabriel García Márquez disse em um dos seus livros que quando “um recém-nascido aperta, pela primeira vez, com seu pequeno punho o dedo do seu pai, conquista-o para sempre”. Essa é uma realidade, é um fato que qualquer pessoa que vive a maternidade ou a paternidade, seja naturalmente ou em forma de adoção, experimenta permanentemente.

Essa marca emocional que começa com um olhar e esse primeiro carinho entra fundo no coração e, sobretudo, no cérebro. Como já comentamos mais de uma vez em “Sou Mamãe”, esse órgão fascinante muda durante a criação. O cérebro fica mais alerta e libera uma quantidade maior de oxitocina, o hormônio que regula a necessidade de atenção, de cuidado e que, por sua vez, aumenta ainda mais os laços de afeto.

No entanto, existe algo mais profundo e delicado que varia quando nos tornamos pais, algo que em alguns momentos nos desconcerta e que vai nos desconcertar ainda mais na medida em que a criança cresce e se transforma em um adulto.  Não importa o que a criança faça, não importa onde vai estar no futuro, não importa à que vai se dedicar na vida, a distância que vai nos separar nem a vida que vai levar: ele ou ela sempre serão sua franqueza.

Você sempre será uma parte de mim e a metade do meu coração

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Não importa se seu filho passou 9 meses na sua barriga ou não, essa criança cresceu dia após dia no seu coração e uma coisa desse tipo marca, deixa pegadas e um DNA emocional que vai acompanhar você para sempre. Ninguém sabe melhor do que você quantas noites em claro você passou cuidando e suprindo as necessidades do seu filho, só você sabe a que renunciou e cada esforço que empregou na criação dessa criança, a qual ama mais do que você a mesmo.

Cada dia na criação é uma conquista e um triunfo. Mesmo que cada criança tenha seu próprio ritmo, você vai guardar para sempre na memória aqueles marcos incríveis: a primeira palavra, o primeiro passo, a primeira corrida, o primeiro dia na escola e o primeiro conto lido por ela em voz alta.

Tudo isso é história de vida, é um legado que vai fazer parte da sua formação mais íntima como pessoa, algo que vai esculpir momento a momento seu coração para que você perceba que seu, ou seus filhos, vão ser para sempre o verdadeiro amor da sua vida.

Você é e será minha fraqueza, não importa o tempo ou a distância

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Frequentemente, costuma-se dizer que uma mãe perdoa tudo. Embora seja verdade que em alguns casos os filhos podem escolher caminhos pouco adequados, os pais sentem, no seu interior, a necessidade básica de ajudá-los, de sempre ser essa mão estendida, esse abraço reconfortante e esse lar sempre aberto, aconchegante e acolhedor.

Uma mãe também sabe que seus filhos sempre serão sua fraqueza porque tem a capacidade de se colocar no lugar deles, de sentir o que seus filhos sentem, de sofrer mais que ninguém se um dos filhos estiver sofrendo e de ter, como maior desejo e necessidade, que seus filhos completem 7, 27 ou 37 anos e sejam felizes.

Esse “cordão umbilical invisível e intangível” não tem nada a ver com querer controlar o filho, com tê-lo sempre por perto, dando forma a um sentimento tóxico pouco adequado. A mãe sábia, inteligente e respeitosa é aquela que faz tudo o que for possível para que o filho se sinta livre, maduro e capaz de seguir seus próprios caminhos para construir a própria felicidade.

Somos fortes para criar crianças fortes, mas nosso poder é a sensibilidade

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Essa é, sem dúvidas, uma curiosa mas maravilhosa contradição: ter um filho nos obriga a deixar de lado as inseguranças, a prestar mais atenção no nosso caráter, a ser esse exemplo de temperança, coragem e força para inspirar nossos filhos cada dia mais. No entanto, é exatamente o fato de saber ser sensível que permite nos aproximar deles para oferecer uma criação melhor.

  • Ser sensível é ser capaz de entender as emoções e nos colocar no lugar da criança.
  • Ser sensível é transformar o carinho, o respeito e o afeto nas nossas melhores ferramentas educativas.
  • Ser sensível é nos transformarmos no melhor espelho, no qual nosso filho vai nos ver como pessoas capazes de entendê-los, de guiá-los, de ser aquele alguém que ouve sem julgar, que orienta sem impor, que educa de forma democrática, sem nunca se utilizar da autoridade ou dos gritos.

Para concluir, na hora de educar e criar um filho, a força é essencial para nos sentirmos capazes. No entanto, não podemos nos esquecer de que o que uma criança mais precisa para crescer é a sensibilidade dos pais…