Alimentação das crianças com doença celíaca

24 de setembro de 2019
A doença celíaca afeta grande parte da população. Por esse motivo, é importante conhecer como lidar nutricionalmente com essa questão.

Conhecer o manejo da doença celíaca é a melhor estratégia para evitar os sintomas relacionados à doença. Por essa razão, neste artigo, vamos mostrar tudo o que você precisa saber sobre ela.

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é uma alteração sistêmica de natureza autoimune, desencadeada pelo consumo de glúten em indivíduos com predisposição genética.

O que é o glúten e por que ele causa reações adversas?

O glúten é uma proteína complexa, formada por prolaminas, encontrada nos grãos de cereais, tais como trigo, cevada, espelta e centeio. A aveia também afeta algumas pessoas, embora não tenha essa proteína.

Essas prolaminas (fragmentos de glúten) são subdivididas em gliadinas e gluteninas e são a causa da toxicidade. A reação adversa ocorre porque o sistema imunológico das pessoas celíacas, ao detectar essas substâncias, causa uma reação inflamatória que danifica as vilosidades que revestem as paredes intestinais.

O resultado dessa inflamação é uma falha na absorção dos nutrientes pelo trato digestivo, com possível impacto clínico e funcional, dependendo da idade e da situação fisiopatológica da pessoa.

Em que idade a doença celíaca ocorre?

A doença celíaca pode ocorrer em qualquer idade, permanecendo ao longo da vida. Em relação à idade do diagnóstico, há dois picos em que o número de casos aumenta: em crianças de 1 a 3 anos e em adultos entre 30 e 50 anos.

doença celíaca

Quais são as manifestações clínicas?

As manifestações clínicas são variáveis, dependendo da idade do indivíduo. A seguir, mostraremos uma tabela que indica os principais sintomas e sinais que geralmente se manifestam, de acordo com a faixa etária:

                     CRIANÇAS

            ADOLESCENTES

Sintomas

Diarreia Frequentemente assintomáticos
Anorexia Dor abdominal
Vômitos Cefaleia
Dor abdominal Artralgia
Irritabilidade Menarca atrasada
Apatia Irregularidades menstruais
Introversão Constipação
Tristeza Funcionamento intestinal irregular

Sinais

Desnutrição Aftas orais
Distensão abdominal Hipoplasia do esmalte
Hipotrofia muscular Distensão abdominal
Atraso no crescimento Fraqueza muscular
Anemia ferropriva Estatura baixa
Artrite, osteopenia
Ceratose folicular
Anemia por déficit de ferro

Tratamento da doença celíaca

Para evitar as incômodas manifestações dessa doença, até o momento, o único tratamento confiável e eficaz é a adoção de uma dieta sem glúten.

Com um plano alimentar que não inclua vestígios dessa proteína, a melhora dos sintomas pode ser alcançada após aproximadamente duas semanas de dieta. Além disso, em cerca de dois anos de acompanhamento, pode ocorrer a recuperação das vilosidades intestinais.

Como ponto positivo do início da doença na primeira infância, podemos destacar que as crianças geralmente aceitam, seguem e se adaptam à dieta de uma maneira mais simples e melhor do que adolescentes e adultos, desde que os pais assumam essa tarefa com responsabilidade.

a doença celíaca

Por isso, vale a pena destacar a importância de estabelecer bons hábitos alimentares nas crianças, principalmente naquelas que possuem alguma doença diretamente relacionada à alimentação.

Recomendações nutricionais

A seguir, veremos diretrizes nutricionais básicas a serem consideradas para a alimentação de crianças com doença celíaca:

  • Não consumir nenhum produto feito a partir de cereais que contenham glúten: trigo, cevada, centeio e espelta.
  • Cuidado com produtos processados. Mesmo que não pareça à primeira vista, muitos alimentos ultraprocessados podem conter farinhas ou outras substâncias com glúten. Evitá-los é a melhor estratégia.
  • Aprender a interpretar os rótulos dos alimentos.
  • Ter cuidado na cozinha para evitar a contaminação cruzada. Não utilizar os mesmos utensílios usados para preparar alimentos com glúten, não usar o mesmo óleo para fritar, etc.
  • Nos restaurantes, verificar se há pratos sem glúten e que sigam os padrões de higiene correspondentes para evitar a contaminação cruzada.
  • Encontrar alternativas para os cereais comuns, como, por exemplo, amaranto, quinoa, milho, milheto, sorgo e trigo sarraceno.
  • Em caso de intolerância à lactose, incluir laticínios sem lactose ou seus análogos vegetais.
  • Garantir o fornecimento adequado de vitaminas e minerais, através da ingestão de frutas, legumes e hortaliças.

Por fim, é necessário enfatizar a importância de procurar um profissional que facilite o manejo da doença para que ela não represente nenhuma barreira ao desenvolvimento da criança, tanto em termos físicos quanto sociais.

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