Andador, inimigo dos primeiros passos do bebê?

03 Novembro, 2017

Muitos de nós crescemos com a ajuda do andador. Por isso, nossas mães ou sogras, atualmente avós, insistem em que devemos usar este equipamento para ajudá-lo a andar.

No entanto, o pediatra recomenda que você não use o andador e, sem dúvida, as avós de seus filhos não compreendem e aceitam a sua posição, portanto, continuam dando conselhos que estão longe das indicações médicas recentes e insistem em sua utilização. Mas, por que este equipamento não é bom para os bebês?

O andador não só é inútil para ensinar a andar o bebê, mas também altera o desenvolvimento neurológico e motor natural do bebê. Além de ser um perigo iminente para o bebê em casa, de acordo com os estudos nos últimos anos.

A partir da Neurologia apontam aspectos evolutivos

O andador é questionado por neurologistas e especialistas em psicologia evolutiva, pois evita a atividade de engatinhar, que é essencial para o desenvolvimento de toda criança, pois conecta os hemisférios cerebrais, e cria rotas de informação cruciais para a maturação das diferentes funções cognitivas.

De acordo com especialistas, engatinhar permite intercalar movimentos opostos recriando o padrão cruzado, função neurológica que permite que um corpo se desloque com equilíbrio. Quando o bebê alterna a perna esquerda com a direita e o braço direito com o esquerdo, promove um estado cerebral integrado.

Além disso, o movimento de engatinhar – ignorado pelo uso do andador– tonifica os músculos que depois irão permitir que o bebê se mantenha com a coluna reta ,exercitando também o foco dos olhos, pois ao olhar para o chão para diferenciar onde irá apoiar a mão ou o joelho, ele olha fixamente para um ponto à curta distância.

Além disso, quando o bebê se apoia nas palmas das mãos e suporta a tensão nas articulações dos ombros e punhos, pode sentir a gravidade e aprende a lidar com a mesma, o que ajuda a medir o mundo e uma “lateralização” do cérebro, onde um dos hemisférios domina e o outro obedece.

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O andador, na mira dos ortopedistas

De acordo com especialistas nesta área, o andador altera o desenvolvimento natural de ambas as pernas e das costas, pois força para que tenha posturas e movimentos. Este equipamento não só exige que o bebê aprenda a andar com as pernas afastadas, mas também implica anomalias nos joelhos e nos pés.

Além disso, ao levantar as pernas afeta inevitavelmente o desenvolvimento das costas, pois não está preparado para manter o bebê erguido quando ainda não tem força para estar de pé. Ao mesmo tempo, os cirurgiões ortopédicos garantem que isso deforma os arcos das pernas.

Este equipamento também requer que o bebê permaneça na ponta dos pés, uma posição anormal, que normalmente permanece por um bom tempo, o que demonstra que os bebês não estão preparados, em se tratando de motricidade para lidar com problemas de equilíbrio, altura, e cálculo de distâncias usando o andador.

O andador não ensina a andar

Assim como indicam os especialistas, os bebês primeiro aprendem a sentar-se, em seguida, a rastejar, depois alguns a engatinhar e mais tarde começam a se levantar e andar. Todo este processo está ligado a um desenvolvimento mental, que não deve ser forçado, pois cada bebê tem seu próprio ritmo.

Portanto, colocar o bebê em um andador, quando ainda não sabe andar anula sua mente contra o movimento: o que faz com que suas pernas não coincidam com seu desenvolvimento mental. E assim, não incorpore as noções espaciais de seu próprio corpo em relação ao ambiente: o bebê não vê seus pés em movimento.

Assim, considerando todos estes aspectos, vários estudos científicos, entre os quais está o publicado no British Medical Journal, concluiu-se que, longe de ensinar a andar, o andador atrasa o início da marcha, e prejudica as habilidades motoras e o desenvolvimento cognitivo do bebê.

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E o que podemos dizer dos acidentes no andador?

Especialistas desaconselham o uso do andador, pois aumenta quatro vezes o número de acidentes graves. De acordo com números fornecidos pela Sociedade Argentina de Pediatria, cerca de 45% dos bebês que se deslocam com um andador, sofrem um acidente durante o uso.

É um fato: as rodinhas e o pouco controle que os bebês têm podem causar diversos tipos de acidentes. Os bebês que usam andador são duas vezes mais propensos a sofrer um ferimento na cabeça do que aqueles que não o usam e duas vezes mais propensos a sofrer fraturas em braços e pernas.

Estas probabilidades também aumentam para quatro quando se trata de quedas, descer as escadas, maior exposição a queimaduras, ferimentos com objetos cortantes, asfixia, e até foram registrados casos que terminaram de maneira fatal devido ao andador.

Por que pode ser tão grave?

Embora em alguns países como Brasil ou Canadá o uso do andador esteja completamente proibido, em outros lugares continua sendo vendido e utilizado. No entanto, pediatras e especialistas na área da saúde o desaconselham por causa das diversas desvantagens relacionadas a este equipamento.

Provavelmente muitos consideram exagerado tudo o que a ciência tem demonstrado; ainda mais se atualmente continuam utilizando-o, ou podemos observar várias gerações que cresceram nessas cadeiras com rodinhas. Aqui aparecem frases do tipo “eu adoro isso”, ” nunca aconteceu nada com o bebê” e “aprendeu a andar rapidinho “.

É claro, se o andador é usado com moderação, controle, e cuidados extremos é possível evitar os acidentes. Porém não evita alguns problemas na saúde, bem estar e desenvolvimento do bebê, pois se trata de um equipamento completamente dispensável; a decisão é dos pais. Andador, sim ou não?