Bebês que dormem em caixas: moda ou saúde?

· 9 de março de 2017

Recentemente, o costume de colocar bebês para dormir em caixas se popularizou. Antes elas eram de papelão, hoje em dia foram substituídas por caixas feitas de outros materiais, como o plástico, por exemplo. A ideia foi promovida pelo governo da Finlândia há aproximadamente, 30 anos. Mas, na verdade, o costume é uma tradição desse país. O objetivo é garantir a igualdade entre todos os cidadãos, ou seja, fazer com que as pessoas cheguem ao mundo com as mesmas condições e com garantias de receber os cuidados mínimos.

Estima-se que esse projeto contribuiu para a diminuição da mortalidade infantil por diferentes razões. Além disso, essa proposta se transformou em uma iniciativa viável para muitos governos em nível mundial. As características de cada caixa podem variar de uma sociedade para outra. Mas, em geral, elas funcionaram corretamente para o propósito estabelecido.

Antes da implementação desse projeto, existia na Finlândia uma taxa de mortalidade infantil muito elevada. Atualmente, a prática em questão se tornou tão efetiva que milhões de crianças no mundo todo se beneficiaram dessa ideia. Hoje em dia, países com África do Sul, Índia, México, Estados Unidos e Reino Unido se comprometeram com a população infantil por meio dessa iniciativa.

Por que os bebês dormem em caixas?

No ano de 2013, pelo menos 10 milhões de pessoas se beneficiaram da proposta do governo finlandês para que os bebês de todos os níveis socioeconômicos dormissem em caixas. Apesar de se tratar de um investimento bastante alto, os resultados são muito valioso e importantes para a população, já que, desde sua implementação, cada vez mais crianças sobrevivem.

Trata-se de uma tradição anteriormente mais difundida em níveis econômicos mais baixos porque em determinadas comunidades, nas quais as condições de vida eram mais precárias, para proteger os bebês do frio, estes eram retirados do contato direto com o chão e colocados em caixas. A ideia evoluiu quando os projetos sociais propuseram a criação de um pacote especial para recém-nascidos que contivesse todos os produtos essenciais aos pequenos.

caixas

As famílias que recebiam essas caixas garantiam que os recém-nascidos tivessem roupas, cobertas, brinquedos e outros produtos essenciais para bebês. Mas isso não era tudo, pois a caixa que continha todos esses artigos também passou a servir de berço. Dessa forma, o costume foi se disseminando até que transformar as caixas do governo em berço se tornou uma tradição. No entanto, uma ideia revolucionou o projeto, a partir de então seria preciso respeitar algumas condições para receber o pacote.

O Estado sabia que a maioria dos casos de mortalidade infantil era causado pela falta de atenção das grávidas durante a gestação, as outras causas se relacionavam às condições em que os bebês chegavam ao mundo. Por esse motivo, foi criada uma condição particular para ser merecedor da caixa: quem quisesse receber o pacote de maternidade deveria se comprometer a acompanhar a gravidez junto a um dos postos de saúde do Estado, por quatro meses na fase pré-natal.

A ideia garantia que os pais recebessem atenção especializada durante a gestação. Em geral, essa condição atraia mães que talvez nunca pensariam em realizar uma consulta pré-natal. Nesse sentido, o acordo levou as grávidas a continuar a realizar check-ups regulares e, de alguma forma, garantia também que os partos fossem realizados nos postos de saúde.

Da mesma forma, ao receber a caixa, as famílias garantiam um pacote de artigos para bebês que custam caro, pelos quais nem todos podem pagar. Dependendo da sociedade em que esse projeto for executado, as famílias podem receber mosquiteiros, jaquetas, medicamentos ou vacinas, além dos artigos principais, para garantir um cuidado adequado ao bebê.

As caixas em si evoluíram. Em determinadas épocas, eram incluídas tecidos ou ferramentas para costurar lençóis ou fraldas. Atualmente, tudo mudou e as caixas contém objetos que atendem às necessidades socioculturais das respectivas localidades à que são enviadas.

Na África do Sul, por exemplo, as caixas não são de papelão, mas de plástico. Dessa forma, também podem servir de banheira. Em civilizações nas quais os bebês ainda nascem sob a terra, os pacotes incluem produtos para limpar e tratar dos pequenos. Além disso, oferecem um ambiente mais aconchegante e adequado ao recém-nascido.

As sociedades dos países que adotaram a ideia da Finlândia apresentam necessidades diferentes. Mas todos perceberam a verdadeira importância da ação ao ver que estavam salvando vidas com uma iniciativa tão simples.

Em nações cujo índice de mortalidade infantil é muito alto, a situação pode melhorar significativamente por meio dessa ideia bastante útil. Fornecer um pacote de sobrevivência que inclui produtos inovadores para algumas pessoas significa ao mesmo tempo um começo equitativo para todas as crianças do país.