Dicas para identificar se seu bebê possui atraso psicomotor

17 de abril de 2017

Preste atenção às conquistas e ao desenvolvimento de seu filho. Esse conselho vale porque a noção de atraso psicomotor indica, como diagnóstico provisório, que o desenvolvimento de uma criança durante seus primeiros três anos de vida aparece como uma sequência lenta ou qualitativamente alterada para sua idade. 

A primeira pergunta que devemos nos fazer é: que profissional deve realizar o diagnóstico dos problemas de desenvolvimento? Se suspeita que seu filho tenha algum atraso psicomotor o ideal é que você o leve a um especialista, que será mais objetivo alguém da família.

Quando se trata de nossos filhos é provável que sejamos pouco objetivos e exageremos ou minimizemos algumas precauções. No entanto é vital saber quando a criança, durante os três primeiros anos de vida, não se desenvolve nem consegue caminhar, brincar ou falar, o que poderia indicar que ele está com algum transtorno.

Em todo caso, lembre-se que o pediatra de Atenção Primária (AP) é o profissional mais indicado para fazer o rastreamento do desenvolvimento infantil. Seu papel é crucial para a possibilidade de fazer um diagnóstico precoce.

As sociedades científicas recomendam que todas as crianças realizem periodicamente um exame chamado triagem de atraso no desenvolvimento, este deve ser feito durante as visitas ao pediatra. O exame é crucial para avaliar o desenvolvimento psicomotor de seu filho.

Segundo as notas sobre o atraso psicomotor da Associação Espanhola de Pediatria é preciso distinguir o atraso psicomotor global, que afeta não apenas as aquisições motoras como também o ritmo de aparecimento das habilidades para se comunicar, jogar e resolver problemas adequados à sua idade. 

Nesse caso, vale pensar que o atraso psicomotor persistente nesses primeiros anos pode prever um futuro diagnóstico de atraso mental. 

Em outras ocasiões o atraso só é evidente em uma área específica, como as conquistas motoras da postura (a maior parte das vezes, acompanhado de anomalias qualitativas do tônus muscular), a linguagem, ou as habilidades de interação social. 

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Atenção aos sinais

A impressão clínica de atraso psicomotor geralmente surge durante os primeiros meses de vida, ao se comprovar a desproporção entre o desenvolvimento observado e o esperado para a idade.

Certas crianças com encefalopatia neonatal mostram um comportamento deficiente, e sinais de anomalia neurológica bem precoces desde os primeiros dias de vida, segundo explica a Associação Espanhola de Pediatria.

A evidência de atraso psicomotor começa em alguns casos a partir de algum evento patológico que ocasiona um dano cerebral. Existem síndromes epilépticas iniciais (s. de West, epilepsia mioclônica severa da infância, etc…) que levam ao atraso psicomotor.

Também pode ser que as epilepsias nos primeiros anos sejam sintomáticas de um dano cerebral preexistente. 

Muitas crianças com deficiência metal leve “cumpriram” as primeiras etapas do desenvolvimento psicomotor com relativa normalidade. Somente depois do segundo ano ficam evidentes os atrasos de linguagem e relativa pobreza dos sistemas de brincadeiras.

Concluindo, são frequentes as consultas de crianças em idade pré-escolar por atraso de linguagem, das aprendizagens, e das habilidades sociais que levam a descobrir um atraso psicomotor geral, seguido por uma confirmação de um atraso mental leve ou moderado.

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Há alguns aspectos que você deve estar atento durante os três primeiros anos de vida do seu filho. Aqui apresentamos parte das recomendações que a Associação Espanhola de Pediatria oferece, e são dicas que você deve lembrar ao visitar seu médico:

Depois do nascimento: 

  • É necessário que o médico faça a avaliação de eventuais fatores de risco.
  • Praticar exame neurológico e comportamental.
  • Observação das habilidades motoras espontâneas que se referem a movimentos gerais.
  • Realizar o acompanhamento de perda auditiva (otoemissões acústicas, audiometria por potenciais evocados auditivos do tronco cerebral),de hipotiroidismo e de doenças metabólicas mais frequentes.

2-3 meses:

  • Praticar exame neurológico e comportamental.
  • Observação das habilidades motoras e/ou exame neurológico clássico.
  • Eventualmente, depois de exame de audição, se persistir suspeita de perda de audição, ou fatores particulares de risco.
  • Avaliação do ambiente familiar e social.

4-6 meses:

  • Praticar exame neurológico e comportamental com especial atenção para reações posturais do pescoço ao tronco, manipulação, comportamento visual e interações sociais recentes.
  • Exames oftalmológicos.

 7-10 meses:

  • Realizar exame neurológico e comportamental com especial atenção à posição de assento estável, manipulação.
  • Capacidades representativas básicas, entre as quais a permanência de objeto, brincadeiras de “aparecer-desaparecer”.
  • Barulho imitativo e primeiras sílabas.

12-14 meses:

  • Praticar exame neurológico e comportamental com atenção especial à a modo de deslocação autônoma, primeiros passos. Manejo com pinça polegar-índice.
  • Atenção conjunta.
  • Gestos protodeclarativos e primeiras palavras.

18-20 meses: 

  • Realizar exame neurológico e comportamental com atenção especial à qualidade da marcha independente, uso da colher e copo.
  • Brincadeiras simbólicas e fictícias, habilidades intersubjetivas.
  • Avaliação do léxico, atentando-se à compreensão e vocabulário. Nessa idade deve-se expressar mais de 50 palavras.

É útil pedir aos pais que digam durante um minuto uma relação de palavras diferentes que eles constataram que o filho emite atualmente: se multiplicarmos por dois a quantidade de palavras lembradas, nos aproximaremos bastante ao número real de termos diferentes que a criança usa em sua expressão.

24-36 meses:

  • Realizar exame neurológico e comportamental com atenção especial à qualidade da caminhada e da corrida.
  • Conhecimento básico do sistema corporal.
  • Tentativa de usar o lápis.
  • Reconhecimento de imagens.
  • Início de sintaxes (sujeito-verbo-objeto, alguns determinantes e início de flexões verbais).
  • Brincadeira de imaginação e de enganação.
  • Comportamento social em casa e na escola.