Meu filho tem medo de decepcionar: por que e como ajudar

O medo de decepcionar pode aparecer nas crianças por diversos motivos, mas acaba afetando diferentes áreas de suas vidas. Vamos contar a você como ajudá-las a superá-lo.
Meu filho tem medo de decepcionar: por que e como ajudar

Última atualização: 06 julho, 2022

Em algum momento da vida de nosso filho, o medo de decepcionar ou falhar no que ele acredita que seus pais gostariam que ele fizesse pode aparecer. O principal problema é que isso pode acabar afetando-o. Então, devemos aprender a ajudá-lo a liberar o fardo e a culpa.

O medo é um sentimento frequente ao longo da vida e não devemos vê-lo como algo negativo, pois não é. Pelo contrário, nos ajuda a ser prevenidos e nos impede de correr certos riscos que possam pôr em perigo a nossa vida ou a nossa integridade física. Dessa forma, podemos dizer que é uma emoção adaptativa e necessária.

O problema surge quando o medo nos bloqueia, quando se torna irracional e também quando interfere significativamente em nossas vidas.

Neste artigo, vamos falar sobre um tipo específico de medo, que é o medo de decepcionar. Por que aparece e como podemos ajudar nosso filho a melhorá-lo? Vamos contar tudo aqui.

Os medos das crianças: por que eles aparecem?

Durante a infância, é normal que surjam diversos medos, principalmente diante de situações desconhecidas e incertas. Os medos evoluem dependendo da idade ou estágio de desenvolvimento das crianças e isso é completamente normal.

Quando nossos filhos são bebês, seus medos estão relacionados ao fato de serem separados da mãe, do pai ou do cuidador e de se encontrarem diante de pessoas desconhecidas. Depois, entre os 4 e os 6 anos, os medos evoluem para algo relacionado a uma causa fantástica ou irrealista, como os monstros. Mas a partir dos 7 anos, o medo de decepcionar os pais ou as pessoas que os amam começa a aparecer.

Criança com medo de fantasmas se cobre com o lençol na cama.
Os medos das crianças aparecem desde os estágios iniciais e evoluem com o desenvolvimento e a idade. No entanto, são emoções necessárias e saudáveis, por isso é necessário ensiná-las a gerenciá-los corretamente.

Quais podem ser as causas do medo de decepcionar?

Quando o medo de decepcionar surge em crianças ou adolescentes, suas causas podem ser muito diversas. Entre elas, podemos destacar os seguintes:

  • Medo de errar e de se sentir julgado.
  • Erros ou falhas do passado que não foram bem administrados ou até pelas quais foram punidos.
  • Baixa autoestima.
  • Pais com estilo educacional autoritário ou superprotetor.
  • Inseguranças.
  • Excesso de perfeccionismo. São crianças que pensam que, se não fizerem tudo com perfeição, decepcionarão as pessoas que amam ou com quem se importam.
  • Vergonha.
  • Crenças irracionais sobre o amor ou a aprovação dos outros (acham que isso depende de quão bem ou mal fazem alguma coisa). “Se eu decepcionar, eles não vão mais me amar.”

Como ajudar a criança a controlar esse medo?

Todos os pais ficam preocupados e chateados ao ver os filhos prejudicados por determinadas situações e tentam encontrar uma forma de ajudá-los para que não sofram.

A seguir, daremos algumas dicas para ajudar seu filho a superar o medo de decepcionar. Tome nota!

  • Identifique qual é a causa do medo da criança.
  • Converse com ela e explique que em determinadas situações é normal sentir medo.
  • Mostre que ela pode contar com você, que você sempre estará lá e que a apoiará, não importa o que aconteça.
  • Nunca tire sarro de seus medos.
  • Valide suas emoções e o que ela sente. Não tente minimizar o medo dela, não diga “Você não precisa ter medo” ou “Você não tem motivos para se sentir assim”.
  • Ensine que o fracasso e os erros fazem parte da condição humana. Todos nós já erramos em algum momento e vamos errar novamente. Além disso, os erros nos ajudam a aprender e crescer como pessoas.
  • Avalie seu estilo parental e pense se você está pressionando seu filho de alguma forma ou fazendo com que ele sinta que precisa se destacar em tudo para que não decepcione você.
  • Ofereça recursos e opções para que ele consiga administrar esse medo de decepcionar.
  • Explique que mesmo que ele não consiga fazer tudo com perfeição, ninguém vai deixar de amá-lo ou se sentir decepcionado.
  • Não transmita seus próprios medos. Tenha em mente que você é o espelho no qual seus filhos se refletem.
Menino abraçando sua mãe.
Quando você perceber que seu filho está angustiado pelo medo de decepcioná-lo, avalie quais problemas podem estar gerando esse sentimento. E então reforce o quanto ele é importante para você, não importa o que ele realize.

Permita que ele cresça e experimente

Muitas crianças sentem esse medo porque foram criadas seguindo um estilo de criação superprotetor ou autoritário que não é nada bom. No final, acaba gerando problemas de autoestima e no desenvolvimento da criança.

Embora seja difícil para nós dar alguma liberdade ao nosso filho, é importante ajudá-lo a ganhar autonomia, sempre com limites claros. Eles precisam adquirir habilidades de forma independente e ter certeza de que está tudo bem se falharem em alguma coisa.

Trabalhar a autoestima é essencial para combater esse medo de se decepcionar. Devemos deixar claro que nosso amor não dependerá de resultados obtidos em determinadas situações.

Como ajudar uma criança com medo de decepcionar

O medo de decepcionar começa a aparecer por volta dos 7 anos, quando as crianças já estão cientes de seus erros e suas consequências. É importante desde cedo mostrar que elas são pessoas valiosas, que têm muitas habilidades e que seus erros as ajudarão a aprender e crescer.

Mostre ao seu filho que você sempre o amará pela pessoa maravilhosa que ele é e não pelo que ele conquista. E também, que seu esforço o levará a alcançar grandes coisas.

Pode interessar a você...
Meu filho tem medo do berço
Sou Mamãe
Leia em Sou Mamãe
Meu filho tem medo do berço

Para que uma criança perca o medo do berço, deixá-la chorar sozinha não é uma boa opção: isso só aumenta a angústia e o desconforto.



  • Méndez, F. X., Inglés, C. J., Hidalgo, M. D., García-Fernández, J. M., & Quiles, M. J. (2003). Los miedos en la infancia y la adolescencia: un estudio descriptivo. Revista Electrónica de Motivación y Emoción6(13), 150-163. En internet: http://reme.uji.es/articulos/amxndf4650710102/texto.html
  • García, R. M. V., Ferrero B. S., & Raso, P. C. (2010). Miedos en la infancia y la adolescencia (Vol. 36179). Editorial UNED.
  • Martínez, S. B. (2014). Los miedos en la pre-adolescencia y adolescencia y su relación con la autoestima: Un análisis por edad y sexo. Revista de Psicología Clínica con Niños y Adolescentes1(1), 27-36.  En internet: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4696593