Fome emocional em crianças

17 Fevereiro, 2021
Você sabia que as emoções negativas podem causar fome? A seguir, vamos falar tudo o que você precisa saber sobre esse tema tão interessante.

Atualmente, sabe-se que existem dois tipos de sensação de fome: a fome física e a fome emocional. A primeira se refere à fome comum, sentida no estômago depois de passar um certo período sem comer. Mas o que é a fome emocional e como identificá-la em crianças? Vamos explicar nas linhas a seguir.

Antes de abordar esse tema, você precisa saber que a alimentação e as emoções estão intimamente relacionadas, uma vez que foi demonstrado que os sentimentos vivenciados em um determinado momento influenciam as escolhas feitas na hora de comer, bem como a quantidade e a forma de ingerir os alimentos.

Assim, com isso em mente, a típica frase “Diga-me o que comes e eu te direi quem és” poderia ser reformulada e alterada para “Diga-me o que comes e eu te direi o que está acontecendo contigo”.

Fome emocional em crianças

Fome emocional em crianças

A fome emocional não ocorre no estômago, e sim na cabeça. Quando as crianças sentem esse tipo de fome é porque estão buscando utilizar a comida como um mecanismo de defesa para enfrentar as emoções negativas que sentem e que não sabem como controlar de outra forma.

Assim, as crianças se refugiam nos alimentos para acalmar suas emoções e, por isso, aumentam a ingestão de alimentos que consideram reconfortantes, entre os quais geralmente estão aqueles com elevado teor de açúcares e gorduras. Mas, na verdade, essa comilança não serve para nada, pois a fome emocional é impossível de saciar.

De acordo com a nutricionista Ana María Palomino Pérez, algumas das emoções negativas que mais frequentemente causam o aparecimento da fome emocional são a raiva, a apatia, a frustração, o estresse, o medo, a dor, a ansiedade, a inquietação, a solidão e o tédio.

Porém, fisiologicamente, isso não deveria ser dessa forma, já que os sentimentos negativos costumam ser percebidos como uma ameaça, fazendo com que a glicose seja liberada no sangue e, portanto, reduzindo ou suprimindo a sensação de fome.

Portanto, levando esses dados em consideração, é possível dizer que o impulso de comer quando a pessoa se sente mal não é algo inato, e sim um comportamento inadequado aprendido socialmente.

Sinais para detectar esse tipo de fome em crianças

Alguns dos sinais de que as crianças não estão sentindo fome física, mas sim fome emocional, são os seguintes:

  • A sensação de fome ocorre a qualquer momento, de forma repentina e urgente.
  • Aparece o desejo de comer algo específico, não qualquer alimento.
  • São consumidas quantidades maiores do que o normal.
  • Os alimentos são consumidos descontroladamente e em alta velocidade.
  • Aparecem sentimentos de culpa, vergonha ou insatisfação após comer de forma excessiva.
  • Observa-se um rápido aumento de peso, razão pela qual a criança pode até mesmo ficar obesa.
Fome emocional em crianças

“Não somos responsáveis pelas emoções, mas sim pelo que fazemos com as emoções.”

-Jorge Bucay –

Como evitar o aparecimento da fome emocional durante a infância?

Uma das orientações que devem ser seguidas para evitar que as crianças sintam fome emocional é não recompensá-las nem puni-las com alimentos, pois dessa forma elas aprendem a atribuir certos estados emocionais a determinados alimentos, o que pode levá-las a desenvolver uma relação pouco saudável com a comida.

Da mesma forma, é fundamental cuidar dos hábitos alimentares das crianças, mas sem um rigor excessivo, pois isso pode ser contraproducente. A ideia é garantir que as crianças tenham uma alimentação balanceada, com um controle do que é ingerido, mas sem privá-las de nenhum tipo de alimento, pois, com o tempo, isso pode fazer com que elas sintam a necessidade de compensar essas carências.

Por fim, e também mais importante, para prevenir a fome emocional durante a infância é necessário que as famílias, desde os primeiros anos de vida das crianças, as ensine educação emocional a elas, para que assim cresçam com recursos cognitivos suficientes para identificar e administrar adequadamente os seus sentimentos, tanto positivos quanto negativos, sem que sintam o impulso de comer alimentos de forma desproporcional.

  • Fernández Lucas, L. M. (2018). Influencia de las emociones en la conducta alimentaria (Trabajo de Fin de Grado). Universidad Autónoma de Madrid, Madrid.
  • Palomino-Pérez, A. M. (2020). Rol de la emoción en la conducta alimentaria. Revista chilena de nutrición47(2), 286-291.