Louise Joy Brown, o primeiro bebê de proveta

8 de maio de 2017

O primeiro bebê de proveta do mundo foi uma menina chamada Louise Joy Brown, que nasceu no dia 25 de julho de 1978 de uma forma pouco convencional e polêmica para aquela época. Esse nascimento foi o resultado de um processo inovador de fertilização in vitro, o que a imprensa denominou como “bebê de proveta”.

Naquele momento o processo era experimental, por isso se manteve um grande sigilo durante todo o seu desenvolvimento.  Tratava-se de um experimento complicado de se conseguir, pois os médicos encarregados, dirigidos por Mike Macnamee, haviam tentado com centenas de embriões sem sucesso. Por isso foi, então, um verdadeiro “milagre” o desenvolvimento e nascimento de Louise.

Hoje em dia, pode-se dizer que milhões de crianças nasceram por meio desse processo, considerado útil para pais que têm problemas para conceber naturalmente, e também para mães solteiras e casais do mesmo sexo.

O experimento

O fisiologista Robert Edwards, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina, e o ginecologista Patrick Steptoe, foram os encarregados de realizar essa técnica que trouxe esperança a Lesley e John, os pais de Louise. Os médicos advertiram o casal que o procedimento tinha a probabilidade de uma em um milhão de dar certo e, a partir desse momento se iniciou um segredo absoluto.

Essa dupla de craques da medicina havia conseguido avançar, cada um pelo seu lado, nesse assunto: por exemplo, Patrick Steptoe havia projetado e executado um método através do qual era capaz de extrair os óvulos dos ovários de uma mulher. Por sua parte, Robert Edwards havia conseguido fertilizar os óvulos em um laboratório.

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Portanto, a união das suas forças os levou a realizar experimentos no mesmo sentido por ao menos dez anos, conseguindo coisas que pareciam impossíveis. As habilidades desses médicos eram complementares, já que a experiência os conduziu à fertilização in vitro, ou FIV, assim como a conhecemos.

O processo consiste em obter os gametas femininos e masculinos, ou seja, o óvulo e o espermatozoide, os quais eram unidos por meio de um método especializado dentro de um laboratório. Esse procedimento médico era um verdadeiro desafio para aquela época, mas além disso era também motivo de alarme e controvérsia.

A fertilização no laboratório não era natural e condenável para muitos, mas o problema real dos médicos era que eles podiam fertilizar facilmente o óvulo por métodos artificiais, mas transferir o embrião e implantá-lo novamente no útero não era uma coisa tão simples. 

Opiniões encontradas

Nesse sentido, foram conjugadas uma série de estruturas sociais para permitir o nascimento de Louise Brown. A clínica Bourn Hal de Cambrigde, que foi a primeira na fertilização in vitro do mundo, concordou com os pedidos do governo para que o processo fosse documentado, com o objetivo de se obter as evidências necessárias tanto para acreditar no procedimento como na paternidade dos Brown.

No momento do nascimento de Louise, a notícia ainda era desconhecida. Inclusive, no próprio dia do parto, acredita-se que a mãe foi conduzida de maneira secreta ao bloco cirúrgico. Seria uma cesária muito diferente, em que poucos membros da equipe médica sabiam o que estava acontecendo.

O pai da menina conseguiu visitá-la apenas sob custódia policial e a imprensa esteve sem informações desse acontecimento importante por muito tempo. Foi necessário o resultado positivo de todas as provas para que finalmente o valioso avanço fosse divulgado. Eles haviam superado com sucesso quase todas as etapas, mas ainda não se sabia se de fato o bebê seria normal.

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Mais tarde, a família recebeu elogios e levou esperança a milhões de outras famílias. Mas também foi objeto de ódio e duras críticas, porque sobre esse modelo existe a ideia de que se está brincando com a vida humana sem escrúpulos.

A igreja na época representada pelo papa João Paulo I foi compreensiva e aceitou o fato dos Brown terem feito isso pela necessidade de terem um filho. No entanto, anos depois, o papa Francisco afirmou que esse procedimento valoriza mais o direito de ter um filho do que o fato de recebê-lo como um presente precioso. Francisco também acredita que se está brincando com a vida.

Com o tempo, as técnicas se refinaram e tornaram os médicos em “pais” de mais de cinco milhões de bebês de proveta. Isso os permitiu mais críticas positivas do que negativas. Contudo mesmo com o avanço do século XXI, a fertilização in vitro não consegue a total aprovação social.