Como mudar o comportamento de uma criança em quatro passos

23 de fevereiro de 2017

O mal comportamento das crianças parece ser um mal comum ao qual os adultos acabam se acostumando por não saber muito bem o que fazer ou, o que é pior, sem ter claramente definido quem é realmente o responsável por cuidar do comportamento da criança.

De fato, cada vez é mais comum encontrar crianças respondonas, desobedientes, mal-educadas, birrentas ou impertinentes acompanhadas por adultos que lavam as mãos, claramente demonstrando que pensam “o que eu vou fazer com você?”. Porque nem castigos, nem gritos, nem restrições são efetivos para solucionar isso (de fato, essa forma de reagir só complica as coisas).

Aprender a se comportar bem é possível

O comportamento das crianças não é uma questão de mágica, mas se trata de uma habilidade e, como tal, pode ser aprendida. Para aprender a habilidade de se comportar bem é preciso aplicar o mesmo procedimento usado para qualquer outro tipo de habilidade que se baseia em quatro passos:

  • Escolher um comportamento
  • Definir o problema
  • Planejar um objetivo
  • Estabelecer passos para realizar a fim de atingir esses objetivos
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Passo 1 – Escolher um comportamento

Há muitas formas nas quais o mal comportamento se manifesta. Para começar a mudar o comportamento de uma criança é preciso se focar em um aspecto concreto ou, no máximo, dois. Tentar mudar todas as facetas do mal comportamento de uma criança é uma tarefa titânica, difícil de controlar e de planejar.

Ao nos concentrar em um ou dois aspectos do mal comportamento não nos sentiremos assustados como pais nem vamos assustar os pequenos. Além disso, vai ser muito mais simples estabelecer as pautas que devem ser seguidas e avaliar o progresso, assim como comunicar aos demais adultos, que vivem em contato com a criança as diretrizes das novas formas de conduta e padrões de comportamento.

Enfrentar muitos problemas de uma vez torna difícil determinar onde focar com mais atenção para começar a fazer progressos. É melhor dar prioridade às questões que oferecem riscos à saúde ou à segurança ou àquelas que podem provocar o aparecimento de outros problemas, ou que podem dificultar a relação da criança com as outras pessoas, o aproveitamento do tempo, o ritmo escolar ou ainda que afete a vida familiar com mais intensidade.

Passo 2 – Definir o problema

Uma vez que você tenha decidido onde focar os esforços, chega o momento de explicar o tema em questão à criança e discutir a forma na qual o comportamento dela afeta a si mesmo e aos demais. Não se trata de fazer a criança se sentir mal pelo que faz, mas de mostrar o impacto que isso tem na vida dela e das pessoas com as quais convive.

Só quando a criança percebe que o comportamento dela é um problema real, que a atinge diretamente, é que ela vai poder assumir o compromisso de mudar. Ela precisa saber que fazer as coisas de outra maneira vai trazer benefícios e como ela pode mudar.

Passo 3 – Planejar o objetivo

O passo seguinte é planejar um objetivo, ou seja, estabelecer quais mudanças precisam ser executadas e durante qual período de tempo. É importante levar em consideração que o objetivo não é um desejo, mas um compromisso. Para isso, as crianças precisam saber o que querem fazer e definir o objetivo com palavras claras. Por exemplo, “vou ser mais organizado” ou “vou ser mais amável”.

Além disso, essa meta específica deve ser passível de medição. Isso implica se comprometer a algo concreto durante um tempo determinado. Nesse sentido, é preciso definir exatamente o que se pode observar para avaliar se o comportamento com o qual a criança se comprometeu está acontecendo, o que significa concretamente e como se consegue realizar.

Passo 4 – Definir os passo que vão ser seguidos

O passo anterior foi o mais difícil, por isso é preciso traçar uma rota a seguir. Uma vez definido o objetivo e estabelecido em que consiste, é preciso determinar os passos específicos que vão ser realizados. Esses passos devem ser realistas. O fato de que uma criança entende por que deve se comportar bem e assumir o compromisso não significa que a situação vai mudar de um dia para outro.

A criança possui hábitos que não vão mudar somente pelo fato de estar convencido de que deve fazer isso. Portanto, ela vai continuar sendo como antes quando relaxar um pouco nessa missão. Por isso é preciso ir pouco a pouco. Além disso, a criança precisa ir percebendo os avanços para garantir as mudanças.

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Uma criança que se comporta mal não é uma “criança má”

Cuidado com as etiquetas. Uma criança que se comporta mal não é uma criança má. Ela também não é pior que outra criança que se comporta bem. O mal comportamento de uma criança pode acontecer por diversos motivos. Pode ser uma necessidade de atenção, uma falta de modelos sólidos ou influências negativas em volta dela, somente para nomear alguns.

Mas se nos empenhamos em dizer que elas são más porque se comportam mal e nos focamos em compará-las com outras crianças, estaremos criando problemas ainda maiores nessas crianças, problemas que vão estar relacionados com a autoestima ou a capacidade para se relacionar, entre outros.