Por que não se deve rotular seus filhos?

6 de janeiro de 2017

Muitos pais não percebem, mas têm o hábito de rotular os seus filhos, no entanto existem diferentes tipos de rótulos. Um pai ou uma mãe nunca desejam o mal para os seus filhos, mas se os rotulam estarão causando um enorme mal na sua autoestima e no seu desenvolvimento. Mas as pessoas estão acostumadas a rotular os outros: “nervoso”,”perdedor”, “inquieto”, “travesso”, “mau”, “ansioso”, “triste”… são muitos os rótulos que infelizmente os adultos dizem às crianças todos os dias.

Rótulos negativos

Os rótulos negativos são aqueles que afirmam uma parte negativa do comportamento da criança ou que indicam algum transtorno e se rotula como algo que está errado na criança. As crianças que recebem rótulos negativos acabam acreditando que eles são assim e começam a se comportar de acordo com o que os outros dizem que são. 

Se você rotula uma criança de “chata” ou de “má” provavelmente ela vai acabar acreditando que realmente é assim, porque ela pensa que sempre o que o adulto diz é verdade.. Então isso retroalimenta esse comportamento e a criança acaba sendo “má” ou “chata” porque assim é como pensam que devem se comportar.

Rótulos positivos

Os rótulos positivos são os rótulos que tendem a ressaltar as partes positivas da criança. Existem pais que por medo de que seu filho se sinta mal consigo mesmo, os rotulam positivamente para que aumentem um pouco a sua autoestima. Mas rotular de forma positiva pode ser nocivo, sobretudo quando são rótulos exagerados ou pouco reais. 

Por exemplo, se um pai diz ao seu filho “você é muito inteligente” é provável que ocorra duas coisas: que a criança desconfie de seu pai porque sabe que o que ele está dizendo não é verdade e se sinta ainda pior consigo mesmo ou, ao contrário, acredite realmente que é inteligente e se frustre ao se dar conta que na verdade não é.

Não rotular as crianças

Rótulos especiais

Na nossa sociedade também existem outro tipo de etiquetas que são necessárias para poder diagnosticar as crianças com diferentes transtornos como por exemplo: TDAH, Déficit de atenção com ou com hiperatividade, depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Obsessivo Compulsivo, etc…

Esse rótulos confirmam aos pais que algo não vai bem e estes podem se sentir aliviados ao encontrar uma resposta. Esse tipo de rótulo é necessário para poder acessar os recursos para potencializar o bom desenvolvimento das crianças. Mas em nenhum caso deverá ser uma desculpa para ressaltar os aspectos negativos das crianças e não tem nada a ver com inconvenientes, mas sim com as possibilidades de melhora.

Não rotular as crianças

 

O uso dos rótulos especiais

É preciso ter muito cuidado com os rótulos especiais porque as crianças podem sentir que estão condenadas a viver o resto da vida com esses rótulos. Se uma criança é rotulada de “impulsiva” ou de ter “déficit de atenção” você está definindo uma condição para algo que pode ser trabalhado e é possível conseguir bons resultados que reforcem as formas positivas.

Se os rótulos não forem utilizados de forma correta podem limitar a criança ao invés de lhe dar a oportunidade de melhora segundo suas capacidades, suas necessidades e seus interesses pessoais. Todos os rótulos são comportamentos e sempre é possível escolher qual comportamento você quer ter.

Por que não se deve rotular?

Os pais devem encontrar a maneira correta de falar com as crianças e não rotulá-las de maneira equivocada. Por exemplo, ao invés de dizer a uma criança: “Que mal que você é por bater em seu irmão”, o melhor seria o ensinar para que ele aprenda o que se espera dela, para dessa maneira pode reconduzir seu comportamento: “Deixe de bater no seu irmão, pois você está machucando ele”. 

Além disso, os pais precisam ser persistentes para que as crianças saibam que eles veem o bem nelas, o melhor nelas todos os dias e que o ruim apenas é algo que se pode trabalhar para melhorar. É preciso ser positivo e buscar o lado bom das coisas. Por exemplo, se uma criança teve medo de um pesadelo, ao invés de chamá-la de “medrosa”, é preciso entender suas emoções e fazer com que ela veja que o mal já passou e que é muito valente por enfrentar seus medos e tentar dormir de novo.

As crianças precisam escutar coisas boas sobre elas todos os dias (rótulos positivos que sejam coerentes com suas capacidades e personalidade) porque assim é como realmente poderão construir sua personalidade, se os rotulam com rótulos negativos… eles também acreditarão.