Neuroblastoma em crianças: sintomas, causas e tratamento

O câncer infantil existe, e é preciso saber como ele se manifesta para poder prestar atenção desde cedo.
Neuroblastoma em crianças: sintomas, causas e tratamento

Última atualização: 19 Outubro, 2021

O neuroblastoma é um tipo de câncer que ocorre com mais frequência na primeira infância. Embora não seja uma das doenças mais frequentes em pediatria, seu diagnóstico causa grande angústia e preocupação.

Apesar de já ter sido muito estudada, ainda há muitas questões a serem respondidas sobre essa doença. Infelizmente, uma de suas principais características é a variabilidade nas formas de apresentação, bem como no prognóstico de sobrevida.

A seguir, contamos tudo o que você precisa saber sobre essa patologia.

O que é o neuroblastoma?

O neuroblastoma é um tumor maligno de tipo sólido que ocorre nas células do sistema nervoso periférico (SNP). Esse sistema é composto de nervos e outras estruturas que ligam o cérebro e a medula espinhal aos demais órgãos.

Atualmente é responsável por 7% de todos os cânceres pediátricos e é o segundo tumor sólido mais comum depois dos tumores do sistema nervoso central (SNC). Por esse motivo, é considerado o tumor extracraniano mais comum na infância.

Por que ele surge?

Quando a informação genética de um tipo de células imaturas do SNP (neuroblastos) é alterada ou “mutada”, elas começam a se multiplicar de forma incontrolável. Como resultado, massas sólidas se formam em diferentes partes do corpo, causando uma grande variedade de sintomas.

Em geral, esses tipos de mutações costumam ser de novo, ou seja, não são herdadas dos pais. Apenas 1% a 2% dos neuroblastomas são hereditários, enquanto a maioria dos casos é causado por defeitos em genes diferentes, por razões pouco conhecidas.

Atualmente, não foram determinados fatores ambientais, químicos ou biológicos que estejam diretamente associados ao risco de sofrer dessa doença.

Como o neuroblastoma se manifesta?

Como mencionamos anteriormente, uma das principais características do neuroblastoma é sua variabilidade ou heterogeneidade. Isso significa que o diagnóstico, em geral, é feito tardiamente.

Esse tumor pode estar localizado em qualquer lugar ao longo da cadeia nervosa parassimpática que constitui o SNP. O local de aparecimento mais frequente é ao nível das glândulas suprarrenais (40% dos casos), pescoço e tórax (20%) ou pelve (5-15%). (Maris J, 2007)

Os sintomas são produzidos principalmente por compressão ou invasão de determinados órgãos, pois, quando as manifestações aparecem, o tumor adquire um tamanho considerável. Da mesma forma, no momento do diagnóstico, em geral, as células tumorais já se espalharam pelo corpo da criança.

Sintomas comuns de neuroblastoma em crianças

Como observamos, as manifestações são muito variáveis, dependendo da localização do tumor. Entre os sintomas mais frequentes estão os seguintes:

  • Fadiga e perda de apetite.
  • Perda de peso.
  • Massas palpáveis e duras ao nível do abdômen ou pescoço.
  • Palidez, olheiras ou hematomas em diferentes locais.
  • Dor nos ossos ou membros.
  • Envolvimento ocular, caracterizado por queda das pálpebras e olho seco (Síndrome de Horner).
  • Palpitações, rubor na face e aumento da pressão arterial.
  • Diarreia, prisão de ventre ou dor abdominal.

É importante ressaltar que nenhum desses sintomas é específico dessa condição, o que torna o diagnóstico precoce em crianças muito difícil.

Quais exames são feitos para confirmar o diagnóstico de neuroblastoma em crianças?

Na suspeita de neuroblastoma, a consulta com um especialista em Oncologia Pediátrica é essencial, tanto para a realização dos estudos quanto para o estabelecimento do plano de tratamento.

Primeiramente, é necessário realizar uma entrevista ou anamnese com a família para conhecer a história pessoal e familiar da criança. Além disso, é importante reunir detalhes sobre a evolução do quadro atual.

Dependendo do paciente, é determinado o tipo de exames a serem realizados. Em geral, os exames necessários para corroborar o diagnóstico são os seguintes:

  • Exame de sangue e de urina.
  • Tomografia computadorizada (tórax, abdômen e pelve).
  • Ressonância magnética nuclear do cérebro.
  • Cintilografia com MIBG.
  • Punção de biópsia de medula óssea.
  • Biópsia de tumor.

Como o neuroblastoma é tratado?

O tratamento do neuroblastoma é um grande desafio para os profissionais e requer o trabalho conjunto de diferentes especialistas.

Em primeiro lugar, é importante conhecer a situação particular de cada criança, bem como o tipo de neuroblastoma que ela apresenta. Isso ajuda a definir os objetivos e a entrar em um consenso com a família sobre as estratégias, de acordo com o prognóstico de sobrevivência de cada criança.

Em geral, os tratamentos para o neuroblastoma incluem as seguintes alternativas:

  • Monitoramento e observação.
  • Cirurgia
  • Quimioterapia.
  • Radioterapia.
  • Terapia com iodo radioativo.
  • Imunoterapia (ou terapia direcionada com anticorpos especiais).
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É possível curar o neuroblastoma?

Em alguns casos, a cura é possível. Isso vai depender de muitos fatores, como a idade da criança no momento do diagnóstico, a extensão do tumor primário, a presença de certas mutações em genes específicos, entre outros.

Na maioria dos casos, os neuroblastomas diagnosticados antes dos 18 meses de idade têm um prognóstico melhor do que aqueles diagnosticados posteriormente. Isso tem a ver, principalmente, com o tipo de mutação que apresentam.

Por outro lado, no caso de tumores mais agressivos, o tratamento pode limitar muito a doença e até mesmo curar a criança. No entanto, o risco de o tumor reaparecer pode ser tanto improvável quanto muito provável, dependendo do caso.

Sobre o neuroblastoma

O neuroblastoma não é uma das doenças infantis mais comuns, mas é um dos principais tumores pediátricos e o primeiro em frequência em lactentes.

Em geral, o diagnóstico é feito em estágios avançados, quando os sintomas mostram que o tumor se expandiu consideravelmente. Por isso, é imprescindível fazer todos os exames de saúde com o pediatra para se antecipar ao máximo.

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