Neurodidática: o que é, para que serve e como aplicar

04 Agosto, 2020
As metodologias de ensino baseadas no funcionamento cerebral compõem a chamada neurodidática. Em resumo, trata-se de integrar a curiosidade, a atenção e as emoções do aluno.

A fusão da neurociência, da educação e da psicologia deu origem à neurodidática, que tem como objetivo a aplicação de metodologias de ensino baseadas no funcionamento cerebral. O que é, para que serve e como aplicar a neurodidática são aspectos básicos que devem ser conhecidos por todos.

O que é a neurodidática?

A neurodidática, neurociência ou neuroeducação define estratégias com base na forma como o cérebro aprende e o que estimula seu desenvolvimento no âmbito escolar. Essa disciplina tem como objetivo tirar o máximo proveito do funcionamento cerebral no momento em que novos conhecimentos são adquiridos.

A emoção, a curiosidade e a atenção serão as bases do processo, através de salas de aula inclusivas. Também envolve a ludificação – que vem do inglês gamification –, que consiste no uso de jogos na sala de aula. Prioriza-se um modelo que se baseia no respeito e no esforço dentro da sala de aula.

Quando um educador entende como o cérebro aprende, processa e armazena informações, ele pode adaptar seu estilo de ensino. Ao mesmo tempo, o profissional pode estruturar suas aulas, palavras, atitudes e emoções. Dessa forma, ele será capaz de influenciar o desenvolvimento cerebral dos alunos e a maneira como eles aprendem.

Uma nova combinação

A neurodidática é uma nova maneira de ensinar que combina a educação e a neurologia. Além disso, também atribui à psicologia da educação um papel fundamental no desenvolvimento das crianças.

Os professores são incentivados a procurar estratégias que otimizem o funcionamento dos neurônios do aluno. Algumas dessas estratégias consistem em aproveitar as percepções sensoriais, trabalhar com a memória e captar os estímulos e a atenção dos alunos.

Os pontos-chave para a neurodidática

A capacidade adaptativa do cérebro, definida como plasticidade cerebral, é um fator de grande relevância para a neurodidática. Além disso, sabe-se que, por meio da estimulação adequada, o cérebro pode criar, de forma permanente, novos neurônios e conexões entre eles.   

Além disso, os neurônios-espelho são vitais para as estratégias neuroeducacionais. Essas células são ativadas quando vemos alguém fazendo alguma coisa ou quando nós mesmos a fazemos. Além disso, os neurônios-espelho também são estimulados pelas emoções e é atribuída a eles uma importância central na aprendizagem da linguagem e da empatia.

A neurodidática

Ademais, o vínculo entre as emoções e a aprendizagem já é um fato comprovado. Se as crianças aprenderem a controlar suas emoções e comportamentos negativos, será mais fácil ensiná-las. Além disso, um ambiente livre de estresse e ansiedade também é essencial.

Aprendizagem significativa

A aprendizagem significativa é a definição desse processo que envolve as emoções. É de melhor qualidade e mais durável.

Quando o professor consegue fazer com que o aluno entenda para o que serve o que aprendeu, ele terá sido bem-sucedido. Uma maneira é aplicar os conhecimentos ao mundo real por meio de experimentos, analogias ou atividades artísticas.

O raciocínio e a memória

Além dos elementos mencionados anteriormente, o treinamento através do raciocínio, o aprimoramento e a consolidação da memória, bem como o tratamento dos problemas de aprendizagem são os protagonistas da neurodidática na sala de aula.

Essas capacidades também conseguem determinar as causas neurológicas associadas ao fracasso escolar.

“Algumas das estratégias da neurodidática consistem em aproveitar as percepções sensoriais, trabalhar com a memória e captar os estímulos e a atenção dos alunos.”

Como aplicar a neurodidática na sala de aula?

Para garantir que os alunos recebam conhecimentos, manipulando-os e participando dos seus processos de ensino, é preciso levar várias ferramentas em consideração. Primeiramente, é necessário criar um ambiente positivo em sala de aula, mas também podemos considerar as seguintes questões:

  • A proximidade e a empatia entre o professor e os alunos fazem diferença. Se o professor conseguir espalhar o positivismo para os alunos, já terá meio caminho andado.
  • Não deve haver estresse excessivo na sala de aula, pois isso prejudica o desempenho. No entanto, em níveis baixos, o estresse estimula e motiva o aluno, que também poderá se tornar capaz de gerenciá-lo.
  • As emoções e a memória estão ligadas. Se for possível criar conexões emocionais com os tópicos a serem explicados, o aprendizado será facilitado.
  • O uso de vídeos, imagens, músicas ou atividades relacionadas às experiências dos alunos é uma ferramenta neurodidática. Com isso, os sentidos são estimulados e é possível aprender de maneira integral.
A neurodidática

Os pais e a neurodidática

Os pais podem reforçar essa aprendizagem em casa. Em primeiro lugar, eles podem manter a autoestima da criança elevada, o que vai favorecer o trabalho em sala de aulaAlém disso, a criatividade também é importante: a ideia é promovê-la dentro de casa.

Se os pais ajudarem a aplicar os conhecimentos adquiridos, vão contribuir para o processo de aprendizagem de forma decisiva.

Além disso, eles também devem garantir que a criança descanse adequadamente para aumentar seu desempenho nas aulas. Nove horas de sono tranquilo e reparador são indispensáveis e incentivar a atividade física para ativar e oxigenar o cérebro também é vital.

Em suma, a neurodidática é uma disciplina relacionada com um processo de ensino muito eficaz. Aproveitar o funcionamento cerebral é uma estratégia que está dando excelentes resultados.

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  • Paniagua, M. N. (2013). Neurodidactica: Una nueva forma de hacer educación. Fides Et Ratio.
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