Programas de reforço: o que são e como são usados?

Dependendo se queremos estabelecer um comportamento ou mantê-lo, ou do tipo de comportamento em questão, devemos usar um programa de reforço diferente.
Programas de reforço: o que são e como são usados?

Última atualização: 24 janeiro, 2022

O behaviorismo é uma tendência psicológica que oferece várias técnicas de modificação do comportamento. Muitos deles são usados na educação de crianças, tanto na escola como em casa. Um dos mais conhecidos é o reforço (recompensar o comportamento que queremos incentivar). No entanto, ele pode ser aplicado de maneiras diferentes dependendo do objetivo. Por isso, hoje vamos falar sobre os diferentes programas de reforço.

Existem muitos estímulos que podem atuar como reforçadores. Desde elementos tangíveis, como um doce ou um brinquedo, até aspectos imateriais, como um elogio ou uma felicitação. Mas, além disso, os critérios seguidos para aplicar o reforçador dão origem a procedimentos diferentes. Dependendo do comportamento que queremos incentivar, alguns podem ser mais úteis do que outros.

Programas de reforço

Contínuo e intermitente

O programa mais conhecido é o programa de reforço contínuo: o comportamento é recompensado (reforçado) sempre que aparece. Por exemplo, toda vez que a criança arruma a cama, ela é parabenizada pelo dever de casa. Esse é o tipo de programa mais eficaz para estabelecer novos comportamentos, pois gera maior taxa de resposta.

Menina recebendo um biscoito como parte de um dos programas de reforço.

Por outro lado, encontramos programas de reforço intermitente. Nesse caso, o reforçador nem sempre segue o comportamento, às vezes é entregue e às vezes não. É mais adequado manter comportamentos já estabelecidos, de modo que dependam, em menor medida, do reforço.

Por exemplo, quando elogiamos a criança por ter arrumado bem o quarto. Embora isso já seja uma rotina para ela, receber essa recompensa social de vez em quando a ajudará a manter o comportamento.

De razão ou de intervalo

Dentro dos programas de reforço intermitente encontramos duas modalidades diferentes, dependendo dos critérios a serem seguidos. Falamos de reforço da razão quando o aparecimento da recompensa depende do número de vezes que o comportamento é emitido. Por exemplo, se reforçarmos a criança com um adesivo para escovar os dentes após cada refeição, ela terá que realizar o comportamento três vezes para receber o presente.

Por outro lado, referimo-nos ao reforço de intervalo quando o critério de reforço é o tempo decorrido desde o último reforço. Vejamos um exemplo: a criança está estudando e o pai passa de vez em quando no quarto dele para parabenizá-la e incentivá-la. O reforço aparece após um intervalo de tempo, mas a criança tem que estar realizando o comportamento quando isso acontece para poder obtê-lo.

O problema com o reforço de intervalo é que há uma pausa comportamental após receber a recompensa. Como a criança sabe que vai passar um tempo entre o aparecimento de um reforçador e o próximo, ela pode interromper seu comportamento ao receber o primeiro reforço. Essa dificuldade é menos frequente quanto menor for o intervalo.

Fixo ou variável

Os programas de razão e intervalo podem ser de taxa fixa ou variável. Um programa de proporção fixa premia a recompensa a cada X repetições do comportamento (por exemplo, a cada três vezes que você escova os dentes, recebe um adesivo). E, na relação variável, o reforçador aparece após várias repetições, mas não se especifica quantas (às vezes a cada duas, às vezes a cada cinco, etc.).

Criança escovando os dentes.

Da mesma forma, seria um programa de intervalo fixo se o prêmio fosse sempre obtido após o mesmo período de tempo. Por exemplo, se uma criança não gosta de ler, a cada 10 minutos de leitura ela ganha um ponto que depois pode trocar por prêmios. Ao contrário, se o intervalo de tempo não for especificado, será variável (a criança está estudando e passamos a incentivá-la de vez em quando, às vezes a cada 15 minutos, às vezes a cada 25, etc.).

Utilidade dos programas de reforço

Como podemos ver, cada tipo de programa possui características e utilidades diferentes. Para estabelecer comportamentos, o reforço contínuo é mais eficaz, mas, para conseguir a manutenção ao longo do tempo, o reforço intermitente é preferível.

Os programas de razão fornecem taxas de resposta mais altas do que os programas de intervalo, mas ambos, se fixos, têm uma pausa após o reforço. Para evitar isso, é preferível usar intervalos curtos e poucas repetições, ou usar programas variáveis. Dependendo da modificação de comportamento que deseja fazer, você pode analisar qual tipo de programa é melhor para o seu caso.

Em termos gerais, a validade dos programas cognitivo-comportamentais tem sido estudada como um método eficaz para promover novos comportamentos positivos e, por sua vez, garantir que sejam mantidos. Isso resulta em uma melhor qualidade de vida para as crianças e seu ambiente, por meio da estratégia de reforço que, no caso do reconhecimento contínuo, transforma determinadas ações em hábitos que transcendem significativamente a sua educação.

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