O que é uma biópsia coriônica?

Em algumas gestações, é necessário descartar doenças genéticas no bebê. A biópsia coriônica analisa as células da placenta para esse fim.
O que é uma biópsia coriônica?

Última atualização: 24 Outubro, 2021

Quando o obstetra determina que a gravidez atual apresenta alto risco para doenças genéticas, ele pode optar por solicitar a realização de diferentes estudos diagnósticos.

Entre eles, a biópsia coriônica, um procedimento pelo qual são obtidas células de uma camada da placenta: o córion. Estas são usadas para analisar o DNA do bebê, a fim de diagnosticar possíveis alterações em seus genes desde o início da gravidez.

Você quer saber como esse procedimento é executado e quais são as suas implicações? A seguir, contaremos tudo isso a você. Não deixe de ler!

O que é uma biópsia coriônica?

A biópsia coriônica é um exame pré-natal invasivo, pois requer a coleta de uma amostra das vilosidades coriônicas da placenta por meio de procedimento cirúrgico.

O córion é a membrana externa que envolve o feto dentro do útero e possui pequenas vilosidades ou projeções de tecido placentário. Essa camada e o bebê têm a mesma informação genética.

A partir da amostra de vilosidades, diferentes aspectos desse material podem ser analisados.



O que é detectado nesse procedimento?

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A seguir, especificamos quais informações sobre o feto podem ser obtidas na biópsia coriônica:

  • Cariótipo fetal: os cromossomos que contêm a informação genética são analisados para descobrir o número e a estrutura de cada um.
  • Sexo do bebê: graças ao cariótipo, é possível determinar o sexo do bebê através da análise dos cromossomos sexuais.
  • Distúrbios metabólicos fetais.
  • Anormalidades cromossômicas (como síndrome de Down ou Edwards) e anormalidades genéticas (como fibrose cística).
  • Infecções congênitas (como rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose, entre outras).

Quando esse exame é feito?

A biópsia coriônica é um exame do primeiro trimestre da gravidez e é realizado especificamente entre as semanas 10 e 14.

Não é indicado rotineiramente em todas as gestações, sendo reservado para situações de risco à saúde do bebê, como as seguintes:

  • Resultado positivo da triagem do primeiro trimestre.
  • Histórico de anomalias cromossômicas em gestações anteriores.
  • Suspeita de malformações no ultrassom de primeiro trimestre.
  • Histórico pessoal ou familiar de doenças genéticas.
  • Mães de idade avançada.
  • Histórico de abortos repetidos.

Da mesma forma, a biópsia coriônica pode ser realizada para confirmar o diagnóstico pré-implantacional quando certas técnicas de reprodução assistida são utilizadas.

Contraindicações para biópsia coriônica

  • Gestações com menos de 10 semanas, devido ao risco de causar defeitos nas extremidades, como encurtamento dos membros.
  • Mulheres soropositivas para os vírus da hepatite B e C ou vírus da imunodeficiência humana com alta carga viral.
  • Mulheres com isoimunização.
  • Ameaça de aborto e sangramento.
  • Infecção materna ativa, com ou sem febre.
  • Hematoma intrauterino.
  • Problemas de coagulação maternos.

Como a biópsia coriônica é realizada?

Esse exame requer uma técnica invasiva, por isso deve ser feito por um médico em uma área livre de germes, como a sala de cirurgia.

Não requer preparo prévio e, em caso de uso de algum medicamento, é necessário que o obstetra indique como proceder.

É um exame relativamente rápido, que leva não mais do que 45 minutos.

Para começar, a mulher coloca uma bata cirúrgica e se deita na maca em uma posição confortável, o que facilita o exame. Durante todo o procedimento, seus sinais vitais são monitorados e um controle de ultrassom é realizado para avaliar o local mais adequado para a coleta da amostra.

Existem duas vias de obtenção das vilosidades, a via transabdominal e a via transcervical. É importante notar que em nenhum dos casos o saco amniótico do bebê é tocado.

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Via transabdominal

O acesso à placenta se dá pelo abdômen, com uma agulha fina que aspira o material necessário. Para evitar desconforto, é aplicada anestesia local na pele da mãe e realizada a assepsia adequada. Conforme mencionado acima, a punção é realizada sob acompanhamento ecográfico permanente.

Via transcervical

Nesse caso, a placenta é acessada pelo colo do útero. Para isso, é necessário realizar uma boa assepsia da área íntima, inserir o espéculo e, a seguir, uma pinça fina semirrígida ou cânula através do colo uterino.

Por meio desse elemento, é realizada a coleta da amostra de vilosidades coriônicas, sempre com acompanhamento ecográfico. Essa via é a mais utilizada, pois permite a retirada de uma quantidade maior de tecido.

Geralmente, é um procedimento indolor ou com leve desconforto, semelhante ao da menstruação.

Algumas considerações especiais

Se a mãe for Rh negativo, uma injeção de imunoglobulina anti-D deve ser administrada dentro de 72 horas após a biópsia, pois existe a possibilidade de que o sangue do bebê se misture com o da mãe durante o procedimento.

Por outro lado, recomenda-se que a mulher mantenha um repouso relativo por 48 a 72 horas e evite carregar peso, praticar exercícios físicos e manter relações sexuais.

Complicações que podem aparecer após a biópsia coriônica

Embora as complicações após o procedimento sejam raras, existe um risco mínimo de desenvolvê-las. Dentre eles, destacam-se:

  • Dor abdominal na área da punção.
  • Sangramento vaginal.
  • Infecção do líquido amniótico e da membrana amniótica (corioamnionite).
  • Febre.
  • Ruptura prematura de membranas.
  • Hematoma placentário.
  • Aborto (menos de 1%).

Hoje em dia, essas complicações diminuíram consideravelmente graças aos avanços nas técnicas e nos equipamentos. No entanto, qualquer procedimento invasivo tem seus riscos. O importante é procurar avaliação médica caso sinta algum desconforto.

Quando os benefícios superam os riscos

A biópsia coriônica é um exame preciso e confiável, que fornece um resultado válido em 99% dos casos. Por esse motivo, é a escolha a ser realizada quando há suspeita de doenças potencialmente graves no bebê.

Os resultados preliminares saem em 48 horas e o resultado final em uma semana. Essas informações são avaliadas e traduzidas para a paciente pelo ginecologista e pelo geneticista. Apenas 2% dos casos devem ser corroborados com amniocentese.

Por tudo isso, podemos afirmar que, diante de qualquer condição de risco potencial, os benefícios de fazer esse exame são inúmeros. Converse com seu médico e tire todas as dúvidas.

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