Um quilo por mês, mais um dogma da gravidez

· 27 de abril de 2017

A gravidez em si está definida por um monte de crenças que as vezes a deixam mais complexa; ter que “comer por dois” e adequar todas nossas rotinas alimentares, não fogem às especulações. Hoje em dia muitas mulheres se submeteram a regimes alimentares para conduzir sua gravidez, mas as vezes os próprios ginecologistas têm sido bastante rigorosos nos dogmas, como com aquele de “1 quilo por mês”.

A ideia é distribuir nove quilos em nove meses, uma iniciativa que alguns médicos não deixam passar em cada consulta. Uma mulher grávida deveria aumentar somente um quilo por mês segundo algumas teorias, por isso a pesagem se converteu em quase um pesadelo para as grávidas. Ter aumentado mais do que o quilo necessário pode significar numa bronca do médico, por isso algumas mulheres mentem sobre seu peso ou se submetem a dietas severas.

No entanto, a maioria dos especialistas concorda que o peso ideal não existe nestes casos, e há muitos fatores que influenciam no aumento de peso durante a gravidez e nem todos são iguais em todas as mulheres. Em qualquer caso, a regra de um quilo por mês é algo muito simbólico, pois a quantidade de peso que pode aumentar em gestantes difere em todas; no entanto os especialistas consideram que se pode administrar um cálculo semelhante.

Devemos nos preocupar em aumentar somente um quilo por mês?

A ginecologista Patrícia Soler, do Hospital Clínico Universitário San Carlos de Madrid, afirma que um quilo por mês é um número simplificado, que seria ideal, mas não é possível ter essa precisão. Uma mulher dificilmente pode aumentar apenas nove quilos durante a gravidez, mas também há algumas mulheres que aumentam menos que isso e outras mais que o dobro.

Superar o número mágico de um quilo por mês por nove meses, é muito fácil. Quando a gestação chega ao final, cada mãe terá duplicado o volume de seu útero, levará um bebê com um peso específico, terá acumulado gorduras e líquidos, além do peso correspondente ao líquido amniótico.

É inevitável que uma futura mãe ganhe peso constantemente durante a gestação,  e tudo vai depender das características particulares de cada uma. De modo que não é motivo de preocupação excedermos um pouco de peso; já para os casos onde o aumento de peso é excessivo, os especialistas terão suas próprias recomendações.

Os ginecologistas advertem que em cada consulta eles podem identificar possíveis problemas com o peso, e isto também permite colocar em evidência outras complicações. Por exemplo, uma mulher que aumenta seu peso consideravelmente poderia estar apresentando um nível muito alto de retenção de líquidos, algo preocupante a nível clínico.

Outro possível motivo de preocupação é o desenvolvimento da diabetes gestacional, uma doença que é precisamente anunciada pelo sobrepeso. Neste sentido, a regra de um quilo por mês se faz presente quando se tenta prevenir que surjam inconvenientes de saúde relacionados ao peso da gestante; mas isso não quer dizer que deve-se cumprir com tanta severidade.

Segundo Josefina Ruiz Veja, diretora do Centro Médico e Psicológico de Preparação a Maternidade, as razões para preocupar-se são justificadas quando os quilos extras ultrapassam os limites; no entanto, não é motivo para que as próprias mães se exijam tanto sobre este assunto. Às vezes, a teimosia para cumprir este dogma leva muitas mulheres a descuidarem de sua dieta, evitam consumir proteínas ou alimentar-se adequadamente por medo de engordar.

Ruiz Vega garante que os erros na alimentação em grande parte levam à ocorrência de casos de excesso ou falta de peso, uma decisão que infelizmente pode afetar o feto. Alimentar-se por dois ou aumentar a dose de comida devido a gestação é tão grave como reduzir a dose ou fazer dietas rigorosas.

Uma alimentação equilibrada que nos acompanhe durante nove meses pode aproximar-nos do peso adequado, e talvez tenhamos a sorte de alcançar o peso desejado de um quilo por mês. Os extremos podem ser perigosos nestes casos, pode haver risco de pregorexia, doença capaz de trazer consequências graves para o feto e para a mãe.