Vocês crescerão em nossos braços e lhes daremos a base para que alcem altos voos na vida

10 de abril de 2017

Dizem que as mães e os pais não têm porquê serem aqueles que carregam os filhos; que as crianças ficam mal criadas se ficam tempo demais em seus braços; que a vida acontece no chão, porque é aí onde se encontra os desafios. É dali de onde todos nós devemos nos levantar depois da queda.

Pois bem, falamos das crianças, não dos adultos. Nos últimos anos estamos vendo um interesse curioso pelo fato de que os menores têm que “aprender rápido”. Existem aqueles que procuram fazer com seu filho adquira as competências de leitura e escrita o mais rápido possível, que aprenda a nadar. Ou mais ainda, que experimentem os alimentos sólidos por conta própria antes do tempo…

A aceleração de etapas não traz bons resultados. Não, se a criança não exigir isso, não se não chegou ainda a esses períodos sensíveis dos quais falava Montessori. Porque, na verdade, são os próprios pais que devem conhecer as necessidades de seus filhos para saber o que lhes oferecer. Saber intuir e saber o que dar em cada instante é garantir o sucesso na criação.

As crianças, longe do que dizem nossos próprios pais, amigos ou supostos gurus da criação, necessitam de nossos braços para crescer. Porque a arte do “criar bem” se encontra nesse lugar onde se unem dois corações, onde se oferece carinho e segurança, quer dizer, perto do papai e da mamãe.

A seguir, convidamos você a se aprofundar nesse tema.

Criar nos braços: o contato afetuoso que ajuda a crescer

Comecemos falando sobre essa criação próxima, a que busca o contato estreito, íntimo e delicado. A técnica “mãe canguru”, por exemplo, é vital para os bebês prematuros. Essa união da pele do bebê com a pele da mãe (e com o pai) favorece a ativação de múltiplos mecanismos neurobiológicos para melhorar as respostas adaptativas do bebê.

De fato, melhora o ritmo da respiração, o fluxo de oxigênio e  processos tão essenciais como o da sucção e da deglutição são estimulados. No entanto, vejamos mais aspectos interessantes com detalhe.

Os bebês e as crianças sentem menos dor

Os bebês prematuros estão submetidos a diversos procedimentos médicos, nos quais, inevitavelmente, sentem dor. Contudo, o fato de estar nos braços da mãe durante diversos períodos de tempo, reduz esse impacto, essa sensação.

  • Ainda assim, um bebê, ou uma criança já grande buscará sempre os braços quando sentirem medo; quando sentirem dor, quando não se sentirem bem. Longe de ver isso como a reação de uma criança exigente é preciso aceitar a realidade.
  • O contato físico reduz o estresse, ameniza o medo, e traz um relaxamento adequado aos circuitos neuronais relacionados com a dor.

A segurança dos braços do papai e mamãe melhora a autoestima

Não se preocupe; abraçar muito não é sinal de má criação. Acariciar, beijar, e dar consolo não gera crianças fracas para o mundo. Oferecer nosso colo ou deixar que durmam nos nossos braços quando têm 5 ou 6 anos de idade também não é “contraproducente”. Na verdade você estará assentando boas raízes no cérebro emocional dele.

  • A criança que se sente querida confia mais em si mesma para explorar, para descobrir.
  • As crianças que tiveram por perto os pais delas ao longo de sua infância se tornam adultos com melhor autoestima.
  • Permitir que nosso filho nos abrace quando quiser, tendo a idade que tiver, cria, efetivamente, “sérios efeitos colaterais”. Você criará pessoas com melhor autoconceito, seres que valorizam o vínculo emocional, adultos capazes de estabelecer laços baseados no afeto, no cuidado, e no respeito.

Eu darei a vocês asas para voar e base para voltar

Como pais, vocês querem o melhor para seus filhos. Longe de se deixarem influenciar pelo que outros digam ou pensem, vocês devem confiar no que diz o seu pediatra e também o seu instinto. Acaba sendo curioso saber, por exemplo, que tanto o cérebro do papai quanto o da mamãe mudam com a chagada do primeiro filho.

Em livros como: “Inteligência de mãe. Como a maternidade nos torna mais espertas,” descobrimos fatos tão fascinantes como as maiores conexões neuronais experimentadas pelo cérebro do homem e da mulher.

  • Existe um propósito conjunto: garantir a sobrevivência e o bem-estar desse novo ser. Isso implica na mudança de nossos propósitos, e seremos capazes de desenvolver novas competências.
  • Uma delas é a da multitarefa. Ambos serão capazes de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Também, o nível de oxitocina vai impregnar o cérebro de vocês. E inclusive no cérebro do papai vai ser reduzido o nível de testosterona para desenvolver essa necessidade de cuidado e atenção.
  • Cada uma dessas características nos aproximam de uma necessidade essencial: a de ter nossos filhos por perto, bem perto. Por que negar algo que é tão reconfortante tanto para as crianças quanto para os pais?

Vale a pena levar isso em consideração. A criação nos braços oferece base para os nossos filhos. Procure dar-lhes essa base para onde sempre vão voltar, ali onde se identificam, e onde encontraram sua força e fôlego para voar bem alto na vida.

Até onde os sonhos lhes permitam ir.