Alergia à proteína do leite de vaca em crianças

03 Novembro, 2020
Você já ouviu falar da alergia à proteína do leite de vaca em crianças? Vamos te contar como diferenciá-la da intolerância à lactose, já que ambas costumam ser confundidas.

Você sabia que a alergia mais comum em crianças é a alergia à proteína do leite de vaca? Além disso, costuma ser uma das primeiras a se manifestar, já que o leite de vaca geralmente é introduzido antes do primeiro ano de idade e do restante dos alimentos alergênicos. Isso permite que a sua detecção seja precoce e que o tratamento possa ser iniciado o mais rápido possível para evitar riscos.

Geralmente, essa alergia afeta 2% das crianças e tende a persistir na idade adulta. O mais importante é diferenciá-la da intolerância à lactose, pois a quantidade de alimentos a ser evitada é maior. Por isso, é aconselhável que você fique atenta e informe a escola, principalmente se o seu filho comer por lá.

Você quer saber como detectá-la e como agir no caso de uma reação inesperada? Saber o que é permitido comer ou como preparar a comida para evitar uma reação cruzada? Fique atenta porque vamos contar tudo isso a seguir.

Alergia à proteína do leite de vaca em crianças

Diagnóstico e sintomas da alergia à proteína do leite de vaca

Em primeiro lugar, essa alergia é uma resposta do sistema imunológico. Portanto, a detecção é feita por meio dos anticorpos IgE no sangue. Dito isso, existem 2 maneiras que permitem sua avaliação, o prick test e o exame de sangue.

Por um lado, prick test consiste em injetar o alérgeno sob a pele e observar o aparecimento de bolhas vermelhas e coceira ao longo do tempo. No caso das crianças, esse método é o menos invasivo, por isso é o mais utilizado. Por outro lado, o exame de sangue permite avaliar a reação das células do sangue diante das proteínas do leite.

Ambos devem ser acompanhados por um histórico clínico que inclua os antecedentes familiares, a idade de início e o tempo decorrido entre a ingestão do alérgeno e os sintomas.

Geralmente, manifesta-se através de coceira e vermelhidão na pele, náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais e dores respiratórias que surgem após algumas horas.

Tratamento dietético

Ao contrário da intolerância à lactose, os laticínios não são os únicos responsáveis ​​pela alergia à proteína do leite de vaca. Também estão envolvidos a carne bovina e derivados, tais como hambúrgueres, salsichas, canelones, entre outros.

Além disso, existe uma grande semelhança entre as proteínas do leite e das carnes de cabra e ovelha. Portanto, elas devem ser evitadas, assim como qualquer fonte de lactoglobulinas e caseína.

Estas podem ser encontradas em molhos, conservas, alimentos industrializados, chocolate, cacau, cereais, alguns pães, embutidos e doces, já que são utilizadas como aditivos, e também em sabonetes, cremes corporais e medicamentos. Por isso, antes de comprar, leia bem o rótulo ou peça ao vendedor para te aconselhar, pois é obrigatório especificar sua presença.

No entanto, os traços são isentos porque as quantidades são muito pequenas e, na maioria das vezes, sua presença se deve à contaminação cruzada por não haver linhas de produção diferentes. Portanto, se você não tiver certeza de que um produto é livre de proteína do leite de vaca, é melhor não comprá-lo.

Por fim, lembre-se de usar utensílios diferentes entre os alimentos livres desse alérgeno e os outros, e de prepará-los em áreas separadas para evitar o contato. Além disso, limpe bem todas as superfícies e louças após o uso.

Alternativas nutricionais para as crianças com alergia à proteína do leite de vaca

Em relação aos laticínios, você tem à sua disposição fórmulas altamente hidrolisadas das quais são eliminadas as proteínas que causam alergias. Caso contrário, você pode recorrer às bebidas vegetais, embora seja preciso levar em consideração as seguintes recomendações:

  • Recomenda-se a introdução da bebida de soja a partir dos 12 meses.
  • A bebida de arroz é desaconselhada, pois contém grandes quantidades de arsênico, um mineral tóxico presente no solo de cultivo.
  • As demais bebidas, como a de aveia e a de oleaginosas, podem ser consumidas sem problemas, embora o valor nutricional não seja semelhante ao do leite, visto que quase não possuem proteínas e se destacam pelo teor de hidratos e gorduras de qualidade, respectivamente.
  • Escolha aquelas que não tenham açúcares adicionados e, se possível, sejam enriquecidas com vitamina D e cálcio.
Alergia à proteína do leite de vaca em crianças

Quanto à carne, você pode oferecer ao seu filho as carnes de frango, coelho, peru e porco, que são mais macias. Além disso, se você oferecer uma fruta cítrica ou pimentão na mesma refeição, também melhorará a absorção do ferro.

Aprendendo a viver com a alergia à proteína do leite de vaca

Após seu filho ser diagnosticado com alergia à proteína do leite de vaca, é normal que surjam muitas dúvidas como as que acabamos de solucionar. Isso ocorre porque são alimentos cujo consumo é considerado básico, pelo menos é o que se pretende considerando seu papel no crescimento ósseo e na prevenção da anemia.

No entanto, há outros alimentos com os mesmos benefícios, tais como brócolis, couve-de-bruxelas, amêndoas, feijão, moluscos, peixes e outras carnes.

Além disso, no início, é preciso ter cuidado ao comprar ou comer fora, sempre se informando para que não ocorra o contato e a ingestão acidental. Por isso, sempre carregue adrenalina consigo para reduzir o impacto de um choque anafilático, que se manifesta por meio de dificuldade para respirar, tonturas, sudorese e taquicardia, entre outros sintomas.

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