7 dicas para pais de crianças muito seletivas com comida

Algumas crianças são muito seletivas com os alimentos: rejeitam grandes grupos alimentares, comem pouco e mal. Se esse for o caso do seu filho, descubra como agir para reverter a situação.
7 dicas para pais de crianças muito seletivas com comida

Última atualização: 30 maio, 2022

A alimentação infantil é um dos aspectos que mais preocupa os pais. Por essa razão, quando uma criança se recusa a comer, come muito pouco ou rejeita a grande maioria dos alimentos, os alarmes disparam. O medo de deficiências nutricionais leva pais de crianças muito seletivas com comida a cometer alguns erros que pioram ou perpetuam a situação.

Em outros artigos falamos sobre as características das crianças seletivas com comida e vamos expandir esse tema aqui. No entanto, em resumo, podemos dizer que pode ser uma fase normal e transitória em um determinado momento do desenvolvimento ou levar a um distúrbio grave se as medidas adequadas não forem tomadas a tempo.

Portanto, se o seu pequeno rejeita grandes grupos de alimentos, se recusa a experimentar novos sabores e texturas, come muito pouco e cada refeição se torna uma batalha, não se preocupe! A seguir, daremos algumas orientações que podem ser muito úteis para você.

1. Não pressione as crianças muito seletivas com comida

Quando os pais veem que seu filho mal come ou come “mal”, é natural que eles se sintam preocupados e tentem resolver o problema por qualquer meio.

No entanto, colocar um foco excessivo na alimentação da criança e dar muita importância a isso pode perpetuar o problema ao longo do tempo.

Assim, recomendamos que você adote as seguintes atitudes positivas e construtivas:

  • Mantenha a calma. Lembre-se de que pode ser uma fase transitória e que, em qualquer caso, qualquer situação é melhor tratada em um ambiente calmo.
  • Não fale com outras pessoas sobre o quão mal ou quão pouco seu filho come quando ele está por perto.
  • Evite fazer com que todas as conversas ou interações familiares com seu filho girem em torno da comida. Isso fará com que o pequeno gere uma associação negativa com a comida, por isso tente não dar importância a isso.
  • Na hora de comer, não crie expectativas nem se dedique a observar ansiosamente o quanto e o que seu filho come. Novamente, isso apenas adiciona pressão e sentimentos desagradáveis à alimentação. Procure agir com naturalidade e não torne a comida o centro da dinâmica.
Menina rejeitando pratos de comida
Se seu filho recusa comida, come pouco ou mal, não tente pressioná-lo. O objetivo é mudar hábitos, mas isso não se consegue da noite para o dia.

2. Permitir a autorregulação e respeitar as preferências

Às vezes, exercemos controle excessivo sobre a alimentação infantil e queremos determinar exatamente quanto e o que as crianças devem comer em determinado momento.

No entanto, as crianças são muito capazes de se autorregular, pois conseguem perceber facilmente seus sinais de fome e saciedade. Assim, se o seu pequeno não quiser comer mais, não o force nem o pressione para terminar o prato. Confie que seu filho vai comer o que você precisa.

Por outro lado, também é importante respeitar (na medida do possível) as preferências alimentares das crianças. Isso não significa deixar que comam apenas doces, mas sim dar a elas uma certa margem de escolha dentro do leque de alimentos saudáveis.

Permitir que o pequeno escolha entre diferentes tipos de peixe ou entre diferentes formas de preparar um vegetal fará com que ele se sinta mais autônomo, ouvido e levado em consideração, e isso aumentará sua vontade de comer. Especialmente, pode ser útil por volta dos dois anos de idade, quando a recusa de comer é resultado do desejo da criança de se afirmar e expressar sua individualidade.

3. Promove uma relação saudável e natural com a comida

A melhor medida que podemos tomar para evitar que as crianças sejam muito seletivas com os alimentos é a prevenção. E, para isso, é importante ajudá-las a desenvolver uma relação saudável e natural com a comida desde o início.

Uma boa estratégia é a prática do baby led weaning, pois por meio desse método o bebê pode se aproximar da comida, explorar seus sabores e texturas e experimentá-los em seu próprio ritmo.

Da mesma forma, e embora já estejamos falando de crianças mais velhas, esse padrão continua a ser válido. Por exemplo, podemos envolvê-las na preparação dos alimentos de forma lúdica para que possam manipulá-los, conhecê-los e torná-los seus.

Da mesma forma, devemos ter paciência e oferecer alimentos novos ou rejeitados quantas vezes forem necessárias, sem desespero, até que a criança os aceite.

4. Sem ameaças, chantagens ou subornos com crianças que são muito seletivas com alimentos

Muitos pais usam táticas de recompensa ou punição para fazer seus filhos comerem. No entanto, a alimentação deve ser um ato natural e prazeroso, e não algo que a criança faça por medo de repreensão ou punição. Nem como um fim para obter um benefício, como uma deliciosa sobremesa.

Assim, evite recompensar seu filho com um brinquedo por comer lentilha nem ameace ficar com raiva ou retirar seu carinho se o prato não estiver terminado.

5. Tente não ceder aos caprichos infantis

Sabemos que ter um filho que come pouco ou recusa alimentos nutritivos é muito preocupante e que isso pode levar você a oferecer qualquer alimento desde que a criança coma alguma coisa.

No entanto, é importante ser firme e não ceder aos caprichos. Não se preocupe, nada acontecerá se seu filho pular algumas refeições. A longo prazo, é mais necessário que ele entenda que não lhe será oferecido o que ele quer e que ele tem que consumir a comida que está disponível.

6. Ofereça comida de forma adequada

Como mencionamos, é preciso oferecer a comida várias vezes e ter paciência com o processo de adaptação. Maus hábitos alimentares não são mudados da noite para o dia. Mas, além disso, para torná-los mais facilmente aceitos, podemos seguir três orientações básicas:

  • Ofereça o alimento novo ou rejeitado em pequenas quantidades. Isso torna mais provável que a criança se abra para comê-lo, do que se pretendermos terminar um prato inteiro desde o início.
  • Combine com uma quantidade moderada de um alimento que a criança gosta ou tolera. Por exemplo, se seu filho gosta de macarrão e rejeita carne, você pode colocar um pequeno pedaço de carne ao lado do prato de massa.
  • Tente fazer apresentações atraentes. Embora possa não parecer, o aspecto visual é essencial para atrair a atenção das crianças e estimular seu desejo de experimentar a comida. Assim, você pode fazer pratos coloridos ou criar formatos e desenhos com a comida.
Divertido prato de frutas para um menu infantil,
A aparência das preparações é um fator-chave para a aceitação dos pequenos. Envolva-os na preparação dos pratos e dê a eles tempo e oportunidades para interagir com a comida.

7. Faça das refeições um momento agradável

O mais importante é devolver às refeições aquele aspecto agradável de convívio social que elas deveriam ter. Em vez de transformá-las em uma batalha, uma luta pelo poder, uma pressão ou uma bronca constante, tente fazer com que esse momento seja compartilhado em família.

Comam juntos à mesa, desliguem a televisão, guardem os celulares e passem o tempo conversando sobre assuntos agradáveis.

Não se concentre no fato de o seu filho comer ou não comer, não o pressione! Aproveite a companhia um do outro durante esse período.

Em suma, ajudar crianças muito seletivas com comida requer paciência, coragem e compreensão. Se você tomar as medidas certas, é provável que as mudanças comecem a aparecer em pouco tempo, mas os ritmos de cada criança são diferentes.

Caso você se sinta preocupada com o estado nutricional do seu pequeno, não hesite em consultar o pediatra. E, da mesma forma, se precisar de ajuda para lidar com essa situação, lembre-se de que existem psicólogos especializados que podem orientar você na aplicação das devidas orientações.

Pode interessar a você...
Alimentação das crianças com doença celíaca
Sou Mamãe
Leia em Sou Mamãe
Alimentação das crianças com doença celíaca

A doença celíaca afeta grande parte da população. Por esse motivo, é importante conhecer como lidar nutricionalmente com essa questão.



  • Fisher, M. M., Rosen, D. S., Ornstein, R. M., Mammel, K. A., Katzman, D. K., Rome, E. S., … & Walsh, B. T. (2014). Characteristics of avoidant/restrictive food intake disorder in children and adolescents: a “new disorder” in DSM-5. Journal of Adolescent Health55(1), 49-52.
  • Thompson, C., Cummins, S., Brown, T., & Kyle, R. (2015). What does it mean to be a ‘picky eater’? A qualitative study of food related identities and practices. Appetite84, 235-239.