Distimia em crianças

25 Fevereiro, 2020
A distimia apresenta sintomas semelhantes aos de uma depressão. No entanto, eles são de menor intensidade e de periodicidade crônica.

Estamos cada vez mais conscientes da importância da depressão e de outros transtornos do humor. Sabemos de sua alta prevalência e que cada vez mais pessoas sofrem com eles. No entanto, às vezes nos esquecemos de que os adultos não são a única população de risco. A distimia em crianças é uma realidade e é necessário prestar atenção aos sinais para obter diagnóstico e tratamento adequados.

Frequentemente, tendemos a pensar que as crianças desfrutam de uma existência sem problemas ou que a sua tristeza ou mau humor são passageiros. Minimizamos os sinais de alerta ou os atribuímos à desobediência e ao mau comportamento.

No entanto, devemos considerar a possibilidade de que a criança possa estar apresentando sintomas de um distúrbio que requer intervenção.

A distimia

Também conhecida como transtorno depressivo persistente, esse transtorno do humor apresenta sintomas muito semelhantes aos da depressão. Entre eles, o mais característico é a presença de um humor deprimido ou irritável durante a maior parte do tempo. Além disso, também é comum encontrar:

Distimia em crianças

  • Falta ou excesso de apetite.
  • Insônia ou hipersonia.
  • Dificuldade para se concentrar.
  • Fadiga e baixa energia.
  • Baixa autoestima e indecisão.
  • Pensamentos negativos e de desesperança.

Todos esses sintomas podem ser comuns a um distúrbio depressivo, mas a diferença está na gravidade e na duração do distúrbio. Enquanto na depressão os sintomas são de alta gravidade e geralmente ocorrem em ondas, no caso da distimia, os sintomas são de menor intensidade, mas ocorrem persistentemente.  

Assim, um dos requisitos indispensáveis para o diagnóstico da distimia em crianças é que os sintomas ocorram na maior parte do tempo durante pelo menos um ano. Não há períodos de melhora significativa na distimia, pois é uma condição crônica. 

A prevalência desse distúrbio é semelhante tanto em meninos quanto em meninas e, devido à menor gravidade dos sintomas, pode ser difícil detectá-la.

Na distimia, a vida da criança não é tão claramente afetada como no caso de uma depressão. O seu desempenho escolar e social pode ser adequado, por isso é difícil detectar o problema. No entanto, devido à sua persistência, há um grande desgaste psicológico para a criança.

Aspectos a serem considerados

A existência de um distúrbio desse tipo em uma criança apresenta diferenças importantes em comparação com o caso de um adulto. Primeiramente, a criança não possui habilidades cognitivas nem recursos emocionais para entender o que está acontecendo com ela. Assim, ela pode se sentir confusa, sozinha e incapaz de expressar a sua necessidade de ajuda.

Por outro lado, os sintomas às vezes são confundidos com um comportamento negativo por parte da criança e elas podem ser punidas em vez de receber apoio e orientação.

Dessa forma, o papel do ambiente familiar e social no qual a criança se desenvolve também é muito relevante. Os estressores familiares geralmente contribuem para agravar o distúrbio. E isso também constitui um fator de risco para outros tipos de comportamentos prejudiciais, tais como o uso de drogas ou o desenvolvimento de um transtorno depressivo na idade adulta.

Distimia em crianças

Lembre-se de que as crianças estão em um período crucial do desenvolvimento, no qual a presença da distimia pode levar a sequelas importantes. Esse é o momento no qual a sua visão de mundo é formada e, portanto, é importante aliviar os sintomas o mais rápido possível e ajudá-la a recuperar a funcionalidade completamente.

Tratamento da distimia em crianças

A distimia é um distúrbio crônico, portanto, requer a psicoterapia a longo prazo. Na avaliação, será necessário ter a colaboração dos pais (para informar sobre o comportamento da criança) e também da criança (para transmitir os seus sentimentos subjetivos).

Em relação ao tratamento, tem como objetivo principal fornecer à criança ferramentas para lidar melhor com as situações adversas. Busca-se a remissão dos sintomas para que a criança possa recuperar o bem-estar emocional. 

Em alguns casos, medicamentos podem ser usados ​​para ajudar a criança a começar a psicoterapia em melhores condições. No entanto, a distimia é tratável e, com ajuda profissional, é possível obter excelentes resultados.

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