Sou a mãe de uma menina que não precisará ser salva por um príncipe

17 de dezembro de 2018
Nos últimos anos, vivemos uma época de ouro quando nos referimos à reivindicação da igualdade de gênero e os direitos das mulheres.

Na verdade, há algo que as mães do presente têm muito claro: a necessidade de educar sua filha com base no valor da liberdade e da coragem, em vez de entregar ao mundo uma pequena princesa que precisa ser salva por um príncipe encantado.

De acordo com a UNESCO, um dos principais objetivos das sociedades é promover a igualdade de gênero, e a não discriminação das meninas.

Em termos gerais todos nós estamos de acordo com isso, afinal é um propósito lógico na qual merece o investimento de recursos, esforços e conscientização.

“Para que quero pés se eu tenho asas para voar”
-Frida Kahlo-

No entanto, há um fato que deixamos escapar. Existe um grande detalhe do qual muitas vezes não nos damos conta e passa quase despercebido. Sem querer, moldamos a personalidade e o pensamento de nossas meninas.

Se há algo que a sociedade reforça no dia a dia é o valor das aparências: admiramos seus vestidos, seus cabelos e nos lembramos e somos lembradas todos os dias da necessidade de ser boas filhas, boas irmãs, boas parceiras, boas mulheres…

Por causa desses rótulos, acabamos orientando as prioridades da criança sob o esquema patriarcal clássico, mesmo que não seja a nossa intenção.

Por isso, devemos encorajas meninas em outras áreas da vida cotidiana, outros aspectos que lhes permitam ser elas mesmas, alcançar o que desejam… enfim, o que o coração mandar.

Vamos educá-las dando-lhes asas e coragem suficiente para que possam salvar a si mesmas caso necessitem.

Minha menina não terá medo de dragões

de uma menina

Para entregar ao mundo pessoas maduras, livres e corajosas, que sabem construir seus próprios caminhos, nada melhor do que oferecer estratégias adequadas para que nossas filhas possam gerenciar seus medos e suas inseguranças.

  • Toda menina – assim como todo menino – deve ser capaz de enfrentar os seus próprios medos com a nossa ajuda, racionalizando ideias e controlando suas emoções um pouco melhor a cada dia.
  • Quando se trata de eliminar os medos, é necessário não os alimentar. Assim, a última coisa que devemos fazer com as nossas filhas é incentivar sua dependência em relação aos outros.
    • O papai não deve olhar debaixo da cama se ela tiver medo, a mamãe não deve falar por ela quando quiser pedir algo em voz alta se ela for tímida.
  • Desde muito cedo devemos a encorajá-las a confrontar aquelas coisas que as perturbam, aquelas pequenas coisas que amedrontam todas as crianças independentemente do gênero, e que às vezes as famílias toleram mais se forem meninas.

Você não precisa ser uma boa garota, apenas seja você mesma

de uma menina

Seja boa menina, fique quieta, não fale, se vista bem, não seja descarada, não chame a atenção, faça o mesmo que os outros, não saia da linha, preste atenção como se senta, etc.

Estas e muitas outras frases, ideias e ordens têm acompanhados a maioria das meninas por várias gerações.

“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”
-Eleanor Roosevelt-

É claro que queremos que nossas filhas nos obedeçam. Mas, em vez de educar no esquema clássico de obediência autoritária, devemos mudar o foco para incentivar habilidades, pontos fortes e virtudes.

  • Eduque com sensibilidade conhecendo suas necessidades, seus gostos e suas paixões.
  • Eduque com igualdade, não dê preferência a elas ou aos filhos meninos.
  • Não determine suas decisões, não dirija o comportamento da criança ao que você gostaria que fosse.
  • Escute-a, ofereça-lhe segurança e dê-lhe responsabilidades desde cedo. Faça com que ela veja que é capaz de fazer muitas coisas e que não precisa de outras pessoas para fazer tudo o que quer. Mostre a ela que pode ir muito longe confiando em si mesma e em suas habilidades.

A autoestima de uma menina não é reforçada dizendo a ela que é bonita

de uma menina

É claro que você pode dizer isso, sem problemas. Você pode dizer a ela todos os dias que é a garota mais bonita do mundo, porque certamente ela é. No entanto, não priorize exclusivamente esta abordagem. Existem muitos outros aspectos mais importantes.

Um exemplo de situação recorrente é a seguinte: quando nos apresentam para filhas de amigos, é muito comum dizer “mas como você é linda Laura, que vestido lindo você está usando”.

Pouco a pouco, a pequena Laura ficará tão acostumada com o reforço positivo associado à sua aparência que baseará a sua autoestima exclusivamente nesse aspecto. Tente evitar que isso aconteça.

  • Pergunte à sua filha o que ela quer ser quando crescer e escute-a com interesse.
  • Pergunte quais livros ela leu ou gostaria de ler
  • Elogie seu modo de se expressar, transmita-lhe confiança para que seja mais assertiva a cada dia.
  • Lembre-se de que você sente orgulho pelo que ela é, pelo que faz, por tudo o que faz bem e pela forma como aprende todos os dias a ser melhor.

Em conclusão, sua filha é e sempre será linda. Contudo, para você, como mãe e como pai, isso não é o mais importante.

O que você quer é que ela se torne uma mulher com voz própria, que saiba defender os próprios pensamentos e que tenha metas definidas as quais sabe muito bem como alcançar.

Ela deve ser alguém livre para amar e ser amada, conquistar qualquer coisa que esteja ao seu alcance. Amanhã ela poderá ser o que quiser. E não, ela não precisará de um príncipe para salvá-la de nada.