Não sou perfeita, sou autêntica e por isso amo meu filho como ele é

· 19 de julho de 2017

Você não é uma mulher perfeita, de fato, tem muito tempo que deixou para trás esse ingênuo objetivo. Você é uma mulher autêntica, gosta de sua identidade, de seu corpo, tem uma história própria da qual se orgulha, e por isso ama também seu filho como ele é, com seus caprichos, seus defeitos e com esse sorriso ainda sem dentes que não trocaria por nada.

Falamos de “um mal” muito comum em nossa atualidade: a necessidade de ter filhos perfeitos.

Segundo os especialistas em educação e psicologia infantil, essa necessidade é agora mais imperativa que nunca, um feito muito concreto: a complexidade do mercado laboral e a atual crise social.

As famílias anseiam ter filhos mais preparados, mais habilidosos e mais competentes. Tanto que, em muitos centros educativos do Reino Unido, tem-se iniciado filtros de seleção em certas escolas de elite infantis, mediante os quais aceitam somente as crianças que tenham alcançado as competências de alfabetização na idade de 4 a 5 anos.

Isto faz que muitos pais realizem  uma série de ações sem qualquer pedagogia, e subtraiam horas da infância de uma criança para introduzi-la fora de tempo em responsabilidades e pressões de um adulto. Tudo isso não é lógico, não é saudável ou conveniente para os nossos filhos.

Devemos nos permitir ser autênticos, falíveis, imperfeitos, porém felizes, com nossas capacidades e nossa identidade, nossos filhos também precisam do mesmo.Hoje em “Sou Mamãe” convidamos você a refletir sobre isso.

Aspirar por sermos pessoas perfeitas gera frustrações que são reais, sejamos autênticos, sejamos felizes

Em nosso espaço, falamos frequentemente da necessidade de se cuidar como pessoa para dar sempre o melhor de si mesmo a seus filhos. Eles necessitam de sua melhor versão, de seu lado mais forte, mais bonito e mais digno. Porque educamos as crianças não somente com palavras mas também com exemplos.

Crianças que possuem pais muito exigentes geralmente desenvolvem um estresse precoce que, longe de beneficiá-los, impõem um padrão muito alto que sempre tentarão alcançar.

● Se a criança é ciente de que não pode atingir esses objetivos que impõem seus pais, ou, que ela não pode imitar essa elevada exigência que sua mãe prega, é possível que a criança desenvolva frustração, baixa autoestima e insegurança.

Outra realidade que podemos ver atualmente é a ideia de que a mulher deve converter-se nessa pessoa capaz de triunfar em cada aspecto de sua vida, sendo sempre a melhor, uma mulher de êxito, atraente e perfeita, boa parceira, boa filha, boa amiga e também, uma grande mãe, uma ‘’supermãe’’ que não se esgota e que tem uma solução para cada problema.

Sejamos lógicos, aspirar a perfeição em cada cenário de nossa vida é uma fonte inesgotável de sofrimentos. Devemos aspirar algo muito mais simples, muito mais íntegro e transcendente, devemos ser felizes.

 

Aceitar o seu filho como ele é, mas ajudá-lo todos os dias a fazer o seu melhor com respeito e intuição

Uma criança em desenvolvimento depende de muitos fatores, e por mais que alguns falhem, nem sempre depende de nossa insistência na estimulação ou reforços.

É necessário entender primeiramente que o cérebro de uma criança amadurece lentamente e segue algumas orientações, alguns marcos. Se ainda não há tecido neural específico e uma conectividade adequada em uma estrutura cerebral determinada, dificilmente vão iniciar o processo de leitura, nem compreenderão o conceito de adição ou subtração.

● A educação de uma criança tem que servir de estímulo, não de pressão.

Devemos ser capazes de aceitar a criança como ela é em cada uma de suas etapas. Se completados três anos de idade e ela ainda não se comunica de forma clara, não a castigue, não a critique nem a corrija severamente. Tudo isso, só irá dificultar o seu próprio desenvolvimento gerando medo e frustrações.

Por outro lado, um aspecto essencial que é necessário considerar, é que nosso filho terá desde cedo sua própria personalidade. Não podemos obrigá-lo a mudar, não é adequado impor a uma criança compartilhar nossos próprios interesses ou nossos próprios gostos.

Nossa obrigação está em compreendê-los, em sermos figuras presentes e capazes de estimular o melhor deles para serem sempre autênticos, dignos, felizes, corajosos, e com amor próprio para construírem uma boa vida. Como eles desejarem.