Síndrome de Einstein: características e causas

Se seu filho já tem quatro anos e ainda não forma frases nem tem atraso no desenvolvimento da fala, você pode estar querendo aprender sobre a síndrome de Einstein.
Síndrome de Einstein: características e causas

Última atualização: 05 junho, 2022

Desde que uma criança nasce, seus pais estão cientes de cada pequeno avanço e conquista. Seus primeiros movimentos, sorrisos, olhares ou palavras são um evento familiar. No entanto, quando esses marcos do desenvolvimento demoram a chegar, surgem as preocupações.

Nesse contexto, você deve saber que existe uma condição que descreve a situação daqueles bebês que apresentam atraso no desenvolvimento da fala, mas que são brilhantes em outros aspectos. Isso é conhecido como síndrome de Einstein, em alusão à história de vida do extravagante cientista do século XX.

Nós vamos contar do que se trata para que você fique atenta com os seus pequenos. Não perca!

O que é a síndrome de Einstein?

Menino de três anos falando com letras escritas no ar.
A aquisição da linguagem e a emissão das primeiras palavras é um marco muito esperado pelos pais. Mas é fundamental saber o que implica o atraso no seu aparecimento.

A síndrome de Einstein foi definida pelo economista norte-americano Thomas Sowell, com o objetivo de diferenciar crianças que apresentam alguma patologia do desenvolvimento daquelas que simplesmente falam mais tarde que seus pares.

Sowell trabalhou com o Dr. Stephen Camarata para investigar esse fenômeno em profundidade, até que ele descreveu uma síndrome completa com características particulares compartilhadas por muitos bebês. Assim, a síndrome de Einstein recebe o nome do famoso cientista do século XX, que, apesar de seu inegável gênio, não pronunciava frases completas até os cinco anos de idade.

Isso é algo que acontece com um grande número de crianças e muitas vezes alguns pais começam a se preocupar com a possibilidade de o filho ter autismo ou deficiência intelectual. No entanto, não precisa necessariamente ser esse o caso.

Em geral, os pequenos pronunciam suas primeiras palavras por volta do primeiro aniversário e, no segundo, conseguem combiná-las para formar frases simples e se comunicar muito bem. Já entre o terceiro e o quarto anos de vida, seu vocabulário é bastante ampliado e suas construções gramaticais também são enriquecidas.

No entanto, esse processo não ocorre da mesma forma ou na mesma velocidade em todas as crianças. De fato, estima-se que cerca de 15% dos bebês adquiram a linguagem tardiamente. E, entre as múltiplas causas e condições que podem explicar esse atraso, está a síndrome da qual estamos falando hoje.

Principais características da síndrome de Einstein

Além do que está relacionado à linguagem, essa síndrome inclui outras características que nos permitem identificar essas crianças e distingui-las daquelas com diversas condições de desenvolvimento.

Estes são seus principais sinais:

  • Atraso no aparecimento da fala. A criança pode não ter começado a falar mesmo depois de quatro anos de idade.
  • Habilidades notáveis ou acima da média em tarefas musicais ou analíticas, bem como no uso de tecnologia. Da mesma forma, pode haver parentes próximos que se destacam nessas mesmas áreas.
  • Excelente memória.
  • Boas habilidades motoras.
  • Interesses seletivos ou restritos e grande criatividade. A criança pode ficar absorta em determinadas atividades e focar sua atenção de forma intensa e inapropriada para a idade.
  • Uma certa teimosia e determinação, o que dificulta convencê-la a fazer o que ela não quer ou mudar de ideia.
  • Embora a fala leve tempo para ser adquirida, ela acaba se desenvolvendo normalmente e a criança não apresenta dificuldades ou deficiências posteriormente.
Criança desenvolvendo sua criatividade pensando que é um astronauta no espaço.
Algumas crianças com síndrome de Einstein têm uma enorme capacidade de abstração e uma imaginação requintada. Portanto, antes de ficar preocupada, tente identificar o contexto particular de seu filho.

A importância do diagnóstico diferencial

É importante mencionar que a síndrome de Einstein não consta como transtorno em nenhum dos principais manuais de psiquiatria ou psicologia. Por essa razão, a investigação a esse respeito é insuficiente e as suas causas ainda são desconhecidas (apesar de um certo padrão ser normalmente observado ao nível familiar).

No entanto, é muito útil considerá-lo ao fazer um diagnóstico diferencial. Isso porque, como comentamos, o atraso na aquisição da fala geralmente nos leva a pensar em uma deficiência intelectual, autismo ou algumas outras condições psicológicas mais complexas.

Dessa forma, muitas crianças são diagnosticadas erroneamente e recebem intervenções e apoios que não são necessários nem apropriados para elas.

É verdade que existem certos sintomas comuns a outras condições de desenvolvimento, como atraso na fala ou interesses restritos. Mas as crianças com síndrome de Einstein não apresentam dificuldades cognitivas e, de fato, muitas delas são brilhantes e se destacam em diferentes áreas do neurodesenvolvimento. Elas até atingem o nível de desenvolvimento normal da linguagem e alcançam seus pares.

Por tudo isso, é conveniente levar em consideração a existência dessa síndrome antes de rotular seu bebê. Dessa forma, se você perceber que seu filho não está adquirindo a fala na velocidade “esperada”, antes de ficar preocupada, preste atenção ao contexto. Tente identificar se há outros sinais de suspeita dessa condição. Mas, acima de tudo, não deixe consultar um profissional adequado, que possa chegar a um bom diagnóstico e fornecer orientações úteis a serem seguidas.

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  • Rapin, I. (2002). Book Review: Diagnostic Dilemmas in Developmental Disabilities: Fuzzy Margins at the Edges of Normality. An Essay Prompted by Thomas Sowell’s New Book: The Einstein Syndrome. Journal of Autism and Developmental Disorders32(1), 49-57.
  • Sowell, T. (2021). The Einstein syndrome: Bright children who talk late. Hachette UK.