Transtorno de ansiedade generalizada em crianças

2 de março de 2020
O transtorno de ansiedade generalizada leva as crianças a sentir uma preocupação excessiva e difusa sobre vários assuntos.

Dentre os distúrbios psicológicos em crianças, os problemas de ansiedade são os mais frequentes. Sempre é difícil diagnosticar esse tipo de condição de saúde, pois é difícil definir se são comportamentos evolutivamente normais para a idade da criança ou não. No entanto, no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), devemos acrescentar o fato de que esta não é uma patologia específica da infância, como a ansiedade de separação, por exemplo.

Como o TAG é um distúrbio mais típico de idades mais avançadas, é difícil identificá-lo em crianças. Principalmente considerando que as manifestações são muito semelhantes às que ocorrem em um adulto.

No entanto, a falta de acompanhamento profissional adequado pode levar a graves consequências futuras, de modo que é necessário estar atento aos sintomas.

Transtorno de ansiedade generalizada em crianças

O TAG é caracterizado por um estado constante de preocupação e apreensão ansiosa. A inquietação não gira em torno de uma área específica, como acontece na ansiedade social ou nas fobias. Pelo contrário, surge diante de uma variedade de aspectos múltiplos e difusos. Assim, não há um motivo claro que cause o desconforto, e a preocupação parece vagar de um assunto para outro.

A criança pode estar ciente de que a sua ansiedade é desproporcional, mas mesmo assim ela não consegue controlá-la. Essa preocupação está presente na maior parte do tempo durante, pelo menos, seis meses e afeta significativamente o funcionamento social ou escolar da criança.

Transtorno de ansiedade generalizada em crianças

Apesar da falta de especificidade dessa ansiedade, ela geralmente se relaciona principalmente aos seguintes tópicos:

  • Desempenho escolar e esportivo: há um alto nível de autoexigência e perfeccionismo na criança, que sente que deve obter as melhores notas e posições e se preocupa excessivamente com isso.
  • Segurança pessoal e das pessoas próximas: a criança pode passar por um grande sofrimento com medo de que algo ruim aconteça consigo mesma ou com seus familiares. Ela geralmente tem medo de roubos, acidentes ou desastres naturais.
  • Doenças: essas crianças podem se preocupar excessivamente diante de doenças com pouca gravidade (delas mesmas ou de alguém que amam) e geralmente apresentam um medo desproporcional de contrair ou desenvolver novas doenças.

Além dessa ‘ansiedade flutuante e contínua’, encontramos ainda outros sintomas, tais como: agitação e nervosismo, dificuldade de concentração, fadiga ou irritabilidade. Também pode haver sintomas físicos, tais como dor de cabeça ou tensão muscular, além de alterações na alimentação e no sono.

Aspectos a serem considerados

  • Aproximadamente de 2 a 6% das crianças são afetadas pelo TAG, sendo mais propensas as que estão próximas da puberdade.
  • O transtorno de ansiedade generalizada não é incompatível com a presença de outro transtorno de ansiedade. O TAG e o transtorno de ansiedade de separação podem ocorrer ao mesmo tempo quando a ansiedade excede as situações explicadas por este último.
  • Devido a algumas de suas características, o TAG pode ser confundido com o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), pois em ambos os casos há dificuldades com a concentração e a agitação psicomotora. Portanto, é necessário haver um bom diagnóstico diferencial.
Transtorno de ansiedade generalizada em crianças

  • Não existe uma causa clara conhecida que explique a origem do TAG em crianças. No entanto, sabe-se que a genética fornece um elemento de propensão que pode ser acentuado por certas circunstâncias estressantes da vida. Ter um histórico de abuso ou passar por mudanças ou perdas significativas são fatores que podem contribuir para o aparecimento desse distúrbio.

Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada em crianças

Às vezes, o TAG é um distúrbio de evolução crônica e de difícil controle, mas grande parte das crianças alcança grandes melhorias por meio do tratamento adequado.

O diagnóstico precoce pode ajudar para que o impacto da síndrome seja o menor possível. Existem tanto tratamentos farmacológicos quanto psicológicos para a abordagem do TAG. O uso de um, de outro ou a combinação dos dois dependerá da gravidade do caso e das preferências da família.

Os medicamentos mais comumente usados ​​são os antidepressivos e ansiolíticos. Eles podem oferecer bons resultados no curto prazo, mas é necessário complementar o trabalho com a psicoterapia para fortalecer as mudanças na cognição e no comportamento da criança.

A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado eficaz, pois ensina a criança a controlar o seu nível de ativação e modificar os seus pensamentos distorcidos. Uma abordagem adequada pode fazer uma grande diferença na sua qualidade de vida.

  • Ruiz Sancho AM, Lago Pita B.(n.d.). Trastornos de ansiedad en la infancia y en la adolescencia. En: AEPaped. Curso de Actualización Pediatría 2005. Madrid: Exlibris Ediciones; 2005. p. 265-280
  • Cárdenas, E. M., Feria, M., Palacios, L., & de la Peña, F. (2010). Guía clínica para los trastornos de ansiedad en niños y adolescentes. México: Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz.