Mamãe, tenha-me perto da sua pele, perto da sua alma… longe dos medos

17 de agosto de 2017

Mamãe, não hesite em permitir que o seu bebê cresça perto, muito perto de você, pele com pele, respiração com respiração, alma com alma. Permita que ele esteja muito perto de você ao menos durante os três primeiros anos. Dessa forma, você dará ao mundo uma criança forte e valente, uma pessoa desapegada dos medos.

Aqui em nossa página comentamos frequentemente da importância de fomentar uma criação próxima, favorecendo o contato físico com o bebê. É o melhor estímulo para potencializar o desenvolvimento da criança, que confere segurança e bem estar e que além disso, impulsiona a conexão neuronal devido a qualidade dos estímulos: táteis, vocais, olfativos, sensoriais…

Ninguém pode alcançar nenhum cume se estiver acompanhado do medo” – Públio Siro

Bem, hoje queremos ir além do campo maturativo da criança para falar dos seus instintos primários e da importância de promover uma criação “desapegada dos medos”. Sabemos que hoje em dia a palavra “apego” é utilizada com muita frequência, mas é conveniente esclarecer os termos.

No campo do crescimento pessoal, “apego” está relacionado com nossa fixação em possuir coisas ou deixar que essas coisas ou esses vínculos limitem nossa liberdade ou nossa identidade. Por sua parte, no contexto da criação, o apego é descrito dentro da clássica teoria de Bowlby, onde é reforçada a importância de construir um vínculo forte e seguro com a criança, para favorecer seu crescimento, sua autoestima, sua relação segura, ao mesmo tempo que independente dos seus pais e do meio que os envolve.

Hoje queremos propor o seguinte: dê prioridade a uma atenção próxima, e dessa união pele com pele com o seu bebê para criar um apego positivo, porque é dessa forma que, a longo prazo, conseguiremos que ele cresça “desapegado” dos medos, das inseguranças, da baixa autoestima…

O medo é o instinto mais relevante no cérebro de um recém-nascido

Mamãe, tenha-me perto da sua pele, perto da sua alma... longe dos medos

Se existe um lugar seguro, perfeito e confortável, sem dúvida é o útero materno. Nada de mau acontece ali, tudo é calmo, tudo é quente, satisfatório e previsível. No entanto, o próprio nascimento já alerta o recém-nascido para o mundo tão estranho que ele está indo encontrar.

  • A primeira coisa que sente é que foi arrancado do interior de sua mãe, que seres estranhos o alcançam, o banham, o pesam, o manipulam…

Mais tarde, depois de conhecer e de sentir a sua mãe pela primeira vez, nota que, de pouco em pouco tempo, o levam a um berço de solidão, num lugar escuro… Os medos voltam a lhe atingir, e ele experimenta o terror do abandono e a sensação de que não vai conseguir sobreviver…

Acabo de nascer e tudo me assusta

O bebê nasce com um cérebro completamente imaturo. O seu interior apenas é regido pelos instintos e pelas necessidades, e a única coisa que procura é se sentir seguro, amado e alimentado.

. Durante os primeiros meses, se existe algo que de verdade amedronta o recém-nascido é se separar da sua mãe. Ainda não é capaz de entender que o fato de ser colocado num berço, não significa ser abandonado, não compreende que se em um determinado momento não sentir o calor da sua mãe não quer dizer que vai ocorrer algo de ruim.

O medo nos bebês é uma reação natural com um fim único: ajudar-lhes a se adaptar. Portanto vamos evitar intensificar muito esse estado…

O “desapego” dos medos, uma inversão cotidiana essencial

Mamãe, tenha-me perto da sua pele, perto da sua alma... longe dos medos

Os especialistas em criação e psicologia infantil afirmam que aproximadamente 35% dos bebês desenvolvem apegos inseguros. Crescer em um entorno onde os pais não favorecem, desde muito cedo essa atenção emocional, esse consolo; ali onde não se atendem os choros e onde as crianças percebem que não podem contar com seus pais quando precisam, é algo que sem dúvida cria um sério impacto nas suas mentes.

“Não há coisa que me dê mais medo, do que o medo” – Michel Eyquem de Montaigne

Um apego inseguro faz com que as crianças sejam muito dependentes, que estejam sempre “apegados” à insegurança, à ansiedade, à essa raiva que não sabem canalizar e que, pouco a pouco, dá lugar à desobediência, ao rancor ou a comportamentos desafiadores.

Como fomentar o “desapego” ao medo no seu filho

Tenha em mente que um bebê tem infinitas necessidades que é preciso saber entender e atender.

  • Mesmo assim, saiba que cada bebê é único e que, em algumas ocasiões, certos bebês são mais carentes de atenção e cuidados do que outros. 
  • Atenda os seus chamados.
  • Ele precisa sempre estar perto de você. Se você trabalha e passa parte do dia fora, ao chegar em casa não hesite em usar o clássico canguru para colocá-lo perto da sua pele e do seu peito.
  • Compreenda todas as suas emoções, não as ratifique, nem as intensifique mais ainda, procure ter paciência, para que eles estejam sempre próximos, e sejam afetuosos e coerentes com as regras.
  • Conheça seus medos.
  • Estimule-os para que pouco a pouco, eles tolerem a frustração.

Por último, não esqueça de fomentar neles uma boa autoestima, demonstre que você confia neles, que eles enxerguem em você essa pessoa, essa figura maravilhosa e essencial nas suas vidas, que sempre vai dar segurança, ânimo, carinho, afeto…