Plagiocefalia no bebê: o que é e como evitá-la

O crânio do bebê nasce desarticulado para passar pelo canal do parto. Isso o torna propenso a modelações e esmagamentos, como ocorre na plagiocefalia.
Plagiocefalia no bebê: o que é e como evitá-la

Última atualização: 28 Setembro, 2021

A plagiocefalia é uma deformação do crânio do bebê, observada com relativa frequência nos primeiros meses de vida.

Isso se deve, em grande parte, à prevenção da síndrome da morte súbita infantil, com a qual se adotou o costume de colocar os bebês deitados de costas. Embora essa medida reduza em 50% o risco de eventos fatais em crianças, causou um aumento considerável de plagiocefalia.

Você quer saber mais sobre essa condição? Então não deixe de ler este artigo.

O que entendemos por plagiocefalia?

O termo plagiocefalia significa ‘cabeça oblíqua’ e é usado para se referir a um grupo de deformidades do crânio do bebê. É também conhecida como Síndrome da Cabeça Achatada, pois é o que acontece com o crânio a olho nu.

Tipos de plagiocefalia

Existem muitas maneiras de classificar essa condição. Nessa ocasião, usaremos uma que as diferencie de acordo com a localização do problema e a aparência da cabeça da criança:

  • Plagiocefalia posicional (ou postural): a causa é externa, geralmente devido a deitar-se de costas por várias horas. O crânio da criança é achatado no lado posterior ou occipital.
  • Plagiocefalia sinostótica: é produzida pelo fechamento prematuro das articulações dos ossos do crânio. Em geral, isso causa uma deformidade principal e várias deformidades compensatórias, razão pela qual a cabeça do bebê parece bastante peculiar e atípica.

Fatores de risco para a plagiocefalia

Os crânios dos bebês nascem desarticulados para permitir que eles passem pelo canal do parto sem problemas. É normal que, ao nascer, os ossos da cabeça fiquem mal colocados e até mesmo empilhados uns sobre os outros. Mas esse fenômeno é corrigido naturalmente com o passar dos dias.

Mesmo assim, existem alguns fatores que podem explicar por que uma criança não pode modelar adequadamente seu crânio e tem um risco maior de desenvolver plagiocefalia:

  • Torcicolo congênito do bebê.
  • Ambiente uterino estreito.
  • Nascimento prematuro.
  • Trauma durante o parto.
  • Estrabismo.
  • Passar a maior parte do dia deitado na mesma posição.
Bebê prematuro na incubadora.

Implicações para a saúde do bebê

Em geral, a plagiocefalia é do tipo posicional ou postural. Ela causa uma deformidade leve e localizada, que representa um mero problema estético. Com as medidas de tratamento adequadas, a maioria dos bebês retorna à sua aparência normal em alguns meses.

Em contraste, a plagiocefalia sinostótica envolve o fechamento precoce das suturas que unem os ossos do crânio do bebê. Como consequência, todas as estruturas moles da cabeça causam outras deformidades compensatórias para poder aumentar seu tamanho.

Essa condição limita o crescimento de órgãos essenciais, como o cérebro, e é por isso que geralmente requer tratamento cirúrgico imediato.

Como a plagiocefalia é diagnosticada no bebê?

Um exame físico correto é suficiente para diagnosticar a maioria dos casos de plagiocefalia. Para um olho treinado, é possível diferenciar o tipo posicional daquele que ocorre devido ao fechamento prematuro das suturas.

Para observar corretamente o crânio da criança, é necessário fazê-lo de cima. Dessa forma, é possível observar o alinhamento que existe entre olhos, testa, pescoço e orelhas.

Exames complementares

Quando há dúvidas diagnósticas ou quando há suspeita de que a criança está fechando as suturas prematuramente, é aconselhável consultar um especialista. O neurocirurgião tem condições de avaliar a situação de cada criança e determinar se deve ou não solicitar exames.

Entre as opções possíveis, alguns estudos de imagem, como radiografias de crânio ou tomografias computadorizadas, são considerados.

Tratamentos para a plagiocefalia

Muitas vezes, o sucesso do tratamento depende de quando o diagnóstico é feito. Por isso, é importante que o pediatra avalie o crescimento da cabeça da criança a cada consulta.

Estratégias conservadoras

É uma série de medidas não cirúrgicas para modificar o curso da plagiocefalia:

  • Técnicas de reposicionamento do bebê: os pais são educados sobre como alternar a postura do bebê durante o sono e durante o resto do dia. Isso evita que a cabeça fique sempre apoiada no mesmo ponto.
  • Reabilitação com fisioterapia, principalmente para corrigir torcicolo e outros problemas musculares que promovem a plagiocefalia.
  • Órtese craniana com capacetes: essa opção é controversa, mas é uma alternativa eficaz quando as medidas anteriores são insuficientes.

Todas essas estratégias podem ser implementadas desde o nascimento, mas não serão eficazes após o primeiro ano. A partir dessa idade, o crânio perde a capacidade de se moldar.

plagiocefalia posicional fisioterapia osso montando ossos crânio bebê bebê tratamento conservador suturas osteopatia

Quando é necessário recorrer à cirurgia corretiva

A plagiocefalia posicional geralmente se resolve com estratégias conservadoras após 4 a 5 meses. Quando isso não acontece ou a deformidade é grave, o tratamento cirúrgico é considerado.

No caso da plagiocefalia sinostótica, a cirurgia é a primeira opção de tratamento.

Como posso prevenir a plagiocefalia em meu bebê?

A melhor estratégia para evitar o problema é oferecer aos pais o aconselhamento necessário durante as consultas de acompanhamento com o pediatra.

A seguir, descrevemos algumas das recomendações preventivas da Associação Espanhola de Pediatria:

  • Quando o bebê não estiver dormindo, é aconselhável deitá-lo de bruços, em superfície firme e isolada do chão. Sempre sob a supervisão de um adulto, para evitar acidentes. Isso é conhecido como tummy time e tem várias finalidades. Recomenda-se fazê-lo por pelo menos 1 hora por dia.
  • Alterne a posição da cabeceira do moisés ou do berço periodicamente. Isso evita que o bebê se acostume a virar a cabeça sempre para o mesmo lado.
  • Ao usar assentos com espaços justos para a cabeça (como sistemas de retenção para crianças), certifique-se de que o bebê possa virar levemente a cabeça e evite deixá-lo por muito tempo na mesma posição.
  • Frequentemente pegue a criança no colo. Dessa forma, a modelagem da cabeça também é evitada.

Se seu bebê tiver uma deformidade na cabeça, não entre em pânico! Provavelmente se deve à posição em que ele costuma ficar. Discuta isso com seu pediatra na próxima consulta.

Pode interessar a você...
O que é plagiocefalia posicional?
Sou Mamãe
Leia em Sou Mamãe
O que é plagiocefalia posicional?

Um em cada dez bebês sofre de plagiocefalia posicional. Já adiantamos a boa notícia: ela é tratável e pode ser evitada com bons hábitos.